Candidato do PT aposta na mobilização, reúne parlamentares eleitos e abre diálogo com antigos adversários para o segundo turno
Com energia e disposto a ampliar o campo político e transformar a eleição numa escolha entre continuidade e mudança, Leandro Grass (PT) entrou no segundo turno da disputa pelo Governo do Distrito Federal (DF) investindo em novas conversas com antigos adversários.
Em entrevista à CBN Brasília, nesta terça-feira, 6, o candidato afirmou que vai buscar os eleitores que não votaram em Celina Leão (PP), intensificar a campanha nas regiões administrativas e reunir em torno de sua candidatura forças políticas que estiveram em palanques diferentes no primeiro turno.
Grass chegou à segunda etapa com 569.930 votos, 34,47% dos válidos. Celina teve 825.530, ou 49,93%. A diferença, no entanto, não diminuiu o otimismo do petista. Para ele, o segundo turno abre uma nova eleição, com mais tempo de televisão, confronto direto de projetos e oportunidade para que os eleitores conheçam melhor as duas candidaturas.
“Agora com mais tempo de TV tem a possibilidade da população ver de maneira mais clara e direta quem é quem, avançar nessas regiões onde a gente não teve tantos votos como poderia”, afirmou.
É justamente no confronto de gestões que Grass pretende trabalhar arduamente na campanha: a crise envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master. A tentativa de aquisição do Master pelo BRB foi barrada pelo Banco Central em 2025 e, posteriormente, o Master acabou liquidado. A crise deixou o banco público brasiliense diante da necessidade de um aporte bilionário.
Na entrevista, Grass lançou diretamente a pergunta que pretende repetir ao longo da campanha:
“Celina, cadê o dinheiro do BRB? Ninguém explicou”, enfatiza.
Grass também confrontou o discurso da adversária sobre ficha limpa e lembrou a situação judicial de Celina. De acordo com o candidato petista, a atual governadora foi ré na ação penal da Operação Drácon, que investigou suspeitas relacionadas à destinação de recursos da saúde quando ela presidia a Câmara Legislativa.
Durante a campanha e agora novamente no segundo turno, Grass vai utilizar a sua biografia para questionar Celina Leão. “Eu não sou réu de nenhuma operação, de nenhum crime. Ela é. Eu sou ficha limpa. Ela não”, afirmou.
Uma frente por Brasília
O petista agradeceu o apoio de Ricardo Cappelli e do PSB e revelou que conversou com lideranças como o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (NOVO). A ideia, segundo ele, é construir uma frente que ultrapasse as fronteiras tradicionais entre esquerda e direita.
“Quero o apoio deles porque agora não é mais uma disputa entre a esquerda e a direita, não é mais uma disputa entre partidos”, declarou.
Grass destacou, por exemplo, convergências com propostas apresentadas por Arruda para o transporte público. O petista defende a expansão do metrô, a implantação de novos trilhos e a ampliação das linhas e horários de ônibus.
Para o candidato, a reta final será a oportunidade de colocar dois caminhos diante do eleitor: manter o grupo que governa o DF ou iniciar um novo ciclo político.
“Não é mais uma disputa entre um grupo político e outro, entre um partido e outro, entre uma ideologia e outra. É uma disputa sobre Brasília”, afirmou Grass.
A virada
Grass também apresentou o caminho que enxerga para virar a eleição. Segundo ele, há três grandes grupos a serem disputados: quem escolheu outros candidatos no primeiro turno, quem não compareceu às urnas e quem votou branco ou nulo.
“Aqueles que não votaram em Celina, votaram em mim, obviamente já estão conosco, mas também votaram na Paula, no Kiko, no Cappelli, no Arruda, mesmo até anulando seu voto. Essas pessoas não querem Celina”, afirmou.
O segundo grupo é formado justamente pelos mais de 426 mil eleitores que não compareceram. Grass afirmou ter presenciado filas durante o primeiro turno e defendeu que a Justiça Eleitoral tome providências para evitar problemas semelhantes na votação decisiva.
O terceiro campo está entre os eleitores que anularam ou votaram em branco. É nesse universo, somado aos votos dos candidatos que ficaram pelo caminho, que o PT vê espaço para construir a virada.
Grass aposta, ainda, nos debates. Com apenas dois candidatos, ele acredita que será possível colocar frente a frente projetos, biografias e responsabilidades políticas. “Temos três semanas, e o mesmo tempo de TV, temos os debates”, afirmou.
Bancada eleita vai para as ruas
Outra ação do petista é colocar a força dos parlamentares progressistas eleitos a serviço da campanha. Grass destacou que o campo político saiu fortalecido das urnas e citou lideranças capazes de ampliar a presença da candidatura nas cidades, entre jovens, mulheres, trabalhadores e servidores públicos.
“Esse time está comigo e a gente vai trabalhar junto para alcançar todas as bases, as áreas, os grupos que eles têm essa capacidade”, afirmou.
O petista também citou o apoio e as experiências de governadores como Elmano de Freitas (PT-CE), Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e Rafael Fonteles (PT-PI). Para Grass, políticas bem-sucedidas em educação, segurança e desenvolvimento nesses estados podem servir de referência para recuperar o protagonismo da capital Federal.
Governo Lula
Grass vai explorar e intensificar no segundo turno o apoio do governo do presidente Lula (PT). Ao falar das regiões administrativas, citou o novo Instituto Federal em Ceilândia como exemplo concreto da presença do governo federal, contrapondo o que considera abandono por parte da atual gestão distrital.
“Quem tem projeto para Ceilândia, Braslândia, Planaltina, Santa Maria, Recanto das Emas, Gama e todas as outras regiões, São Sebastião, não é a Celina”, afirmou.
Da Rede PT de Comunicação










