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Lula chama bancada à luta pelo fim da 6×1 e pela PEC da Segurança

Em encontro com parlamentares eleitos e atuais congressistas, presidente pede mobilização para a jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso sem redução de salário e por maior participação da União no combate ao crime organizado

O mandato de quem foi eleito começa antes da posse. Foi esse o recado de Lula ao reunir parlamentares que já atuam no Congresso e os que assumem no próximo ano, durante Plenária nesta quarta-feira (7/10), em Brasília. O presidente quer a bancada mobilizada em duas votações que considera fundamentais: o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública. A primeira tarefa é fazer o debate sobre a redução da jornada de 44 horas para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução de salário, sair de Brasília e chegar em quem trabalha seis dias para descansar apenas um.

Lula pediu aos parlamentares que conversem com as comunidades e eleitores e traduzam o que está em jogo. “Nós temos que traduzir isso numa jornada de trabalho que, ao invés de seis dias de trabalho e um de descanso, nós vamos querer cinco dias de trabalho sem desconto salarial e dois dias de descanso”, afirmou.

A redução da jornada ganhou força no país a partir da mobilização de trabalhadores contra a escala 6×1, proposta defendida por Lula, e que avançou no Congresso. Agora, a discussão está no plenário do Senado. Davi Alcolumbre assumiu o compromisso de colocar o tema em votação na próxima semana.

Lula já havia tratado do assunto mais cedo, ao cobrar da oposição um posicionamento diante da proposta. Na Plenária, foi além e dirigiu o desafio diretamente ao candidato da extrema direita e a seu partido. “Eu quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favorável e desafio ele a pedir para o PL votar favorável”, ressaltou.

FLÁVIO É CONTRA FIM DA 6×1 – Nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro criticou a proposta apoiada por Lula pelo fim da escala 6x1e defendeu que a votação fique para depois da eleição. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, afirmou que a bancada ainda não fechou posição sobre a PEC.

Para Lula, porém, a discussão precisa chegar ao trabalhador de forma muito mais simples. São cinco dias de trabalho, dois de descanso e nenhum corte de salário. E dois dias, argumentou, podem fazer diferença em uma rotina na qual quase todo o tempo acaba ocupado pelo trabalho. “Dois dias de descanso para relaxar, para cuidar da família, para passear, para visitar parentes, para fazer qualquer atividade que seja uma coisa da vontade da família”, disse.

MULHERES – O presidente chamou atenção especialmente para a realidade das mulheres. Para muitas delas, lembrou, o único dia longe do emprego formal tampouco significa descanso. É quando se acumulam a roupa para lavar, a casa para limpar e outras tarefas domésticas e de cuidado.

“A mulher, quando ela chega em casa no domingo, quando ela descansa, ela trabalha muito mais”, constatou. “Então o fim da jornada 6×1 é garantir civilidade no mundo do trabalho.” Lula também rejeitou o argumento de que a jornada deveria ser definida apenas por negociação entre trabalhadores e empregadores. “Eles estão inventando uma história. ‘Não, é melhor negociar com o patrão?’, como se num acordo leonino o trabalhador tivesse alguma vantagem”, analisou.

SEGURANÇA – A segunda tarefa entregue à bancada foi a PEC da Segurança Pública. Lula quer ampliar a participação da União no enfrentamento ao crime organizado e argumentou que a experiência das últimas décadas mostrou os limites de deixar essa responsabilidade concentrada nos estados. “Nós estamos querendo que a União possa participar ativamente do processo de segurança pública nesse país”, projetou.

A proposta amplia a coordenação federal e reforça a atuação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal. Lula também citou o plano de transformar 138 presídios estaduais, onde organizações criminosas exercem influência, em unidades de segurança máxima. Com a aprovação da PEC, o presidente afirmou que pretende avançar na criação do Ministério da Segurança Pública e fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública, o SUSP, ampliando a integração entre União, estados e forças policiais.

Ao reunir quem já tem voto no Congresso e quem só assume o mandato em 2027, Lula deixou claro que não pretende esperar a posse da nova bancada para começar essa articulação. Na 6×1, quer parlamentares nas bases explicando o que dois dias de descanso representam e cobrando posição de quem ainda não declarou o voto. Na segurança, quer apoio para ampliar os instrumentos da União contra o crime organizado.“Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão. É esse o nosso lema daqui pra frente.”

Fonte: Site do LULA

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