Ofensiva protege renda das famílias, combate divulgação de apostas nas redes e investiga contas com suspeita de lavagem de dinheiro
O governo Lula avança no combate às bets para proteger o orçamento das famílias e impedir que plataformas clandestinas continuem lucrando com o endividamento da população. Entre 25 de setembro e 6 de outubro, foram encaminhados para bloqueio 13.241 sites ilegais de apostas, segundo balanço divulgado na terça-feira, 6. A ofensiva dá continuidade ao compromisso do presidente de enfrentar os danos das apostas à vida dos brasileiros.
A fiscalização também chegou às redes sociais, com pedidos de remoção de 3.552 páginas, perfis, canais, grupos e servidores ligados a apostas ilegais. Somente no Telegram, TikTok, WhatsApp e Discord, os espaços identificados somavam cerca de 17,2 milhões de usuários, membros e seguidores, número que pode incluir a mesma pessoa em mais de uma plataforma.
Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o enfrentamento às bets permite que recursos antes destinados às plataformas permaneçam com as famílias e movimentem a economia real. A iniciativa responde a um problema que agrava as dificuldades financeiras dos brasileiros: pesquisa aponta aumento de cerca de 20% no risco de inadimplência após o início das apostas.
“A gente já tinha identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia que saiu da poupança popular e ia para as apostas, dinheiro da economia real, que passa a ficar com as famílias”, afirmou Durigan.
Dinheiro de volta às famílias
Desde terça-feira, 6, os sites e aplicativos de apostas devem ficar indisponíveis no Brasil, conforme o cronograma da Medida Provisória nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O fim do prazo para o saque voluntário, encerrado na segunda-feira, 5, não elimina o direito à devolução dos saldos.
Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, cerca de R$ 1,33 bilhão ainda aguardava restituição a 26,5 milhões de apostadores. As empresas têm até esta quarta-feira, 7, para informar aos bancos os valores de cada usuário, identificados pelo CPF, e a conta bancária utilizada nos depósitos.
Os bancos deverão devolver os recursos entre 9 e 14 de outubro. Os valores que não puderem ser restituídos nessa etapa serão transferidos à Caixa Econômica Federal, que ficará responsável pela devolução.
Combate à lavagem de dinheiro
Além de assegurar o ressarcimento aos apostadores, o governo investiga a origem de valores elevados mantidos nas plataformas. Segundo Durigan, cerca de 40 contas apresentam saldos superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão e estão sob análise para apurar possível lavagem de dinheiro e eventuais vínculos com organizações criminosas.
“São cerca de 40 contas que a gente segue investigando, porque tem um volume muito desproporcional ao que a gente vê no restante das contas”, explicou o ministro.
Os dados mostram forte concentração dos recursos: segundo Durigan, aproximadamente 1% dos apostadores reúne 80% do saldo pendente de devolução. Já 3,4% concentram cerca de 90% do montante. “A grande maioria dos apostadores tem saldo muito pequeno”, ressaltou.
O levantamento registra 86,2 milhões de contas com valores entre R$ 0,01 e R$ 0,99, que somam R$ 15,5 milhões. O número de contas supera o de pessoas porque um mesmo usuário pode ter cadastro em várias plataformas. A apuração dos saldos elevados ocorre paralelamente à devolução dos recursos e à fiscalização contra a continuidade das apostas ilegais.
Da Rede PT de Comunicação










