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Deputado Emidio de Souza cobra explicações de Tarcísio após banco de Edir Macedo, alvo da PF, obter aval para consignados da PM

O banco Digimais, controlado pelo líder da Igreja Universal, obteve autorização da gestão estadual para oferecer crédito a 80 mil policiais militares mesmo diante de grave crise financeira; instituição foi alvo da Operação Miragem

O deputado estadual Emidio de Souza utilizou suas redes sociais para cobrar duramente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) após vir a público que o banco Digimais — alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) por suspeita de fraude financeira — recebeu autorização do governo paulista para operar empréstimos consignados junto a policiais militares. A relação comercial foi firmada em um período em que a instituição financeira já enfrentava severa deterioração em suas contas.

Em publicação contundente, o parlamentar criticou a decisão da gestão estadual e questionou os critérios técnicos que embasaram o convênio.

“Tarcísio abriu o salário de 80 mil policiais de São Paulo para os negócios de um banco que estava quebrando. Hoje, a PF entrou nesse banco e deixou um monte de pergunta na mesa do governador”, afirmou Emidio de Souza. “A pergunta que o Tarcísio precisa responder é simples: Por que justo esse banco, justo o salário dos policiais, justo quando todo mundo já sabia? A caneta era dele.”

O elo entre o governo e o banco investigado
O credenciamento do Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, junto ao funcionalismo paulista ocorreu em julho de 2025 pela Diretoria de Folha de Pagamento (DFP). Em agosto daquele ano, foi selado o contrato específico com a Polícia Militar, garantindo ao banco acesso a um mercado potencial de aproximadamente 80 mil agentes da ativa, com validade estendida até fevereiro de 2030.

A liberação ocorreu no momento em que os balanços do banco já acendiam alertas no mercado. Segundo as investigações e relatórios financeiros, Edir Macedo precisou injetar R$ 250 milhões na instituição em dezembro do ano passado para cumprir exigências de solidez do Banco Central. No primeiro trimestre deste ano, o Digimais registrou um prejuízo líquido de R$ 108,7 milhões.

O deputado Emidio de Souza destacou que o cenário de insolvência não era desconhecido:

“Quando o governo paulista assinou o convênio, o Digimais já afundava. Cerca de 250 milhões de prejuízo acumulado e relatórios de 2024 e 2025. A planilha do banco apontava o rombo e, mesmo assim, o Tarcísio decidiu seguir com o convênio”, disparou o parlamentar.

Operação Miragem e suspeitas de “maquiagem”
A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para apurar fraudes na administração do Digimais. Mais de 50 agentes federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, além de executarem o bloqueio e sequestro de bens de até R$ 670,3 milhões e a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

O foco central da PF é uma operação de R$ 741,3 milhões envolvendo a compra de cotas do fundo de investimento Hermon pela B.A. Empreendimentos e Participações (controladora da Record e do Digimais). A suspeita é de que o fundo tenha sido inflado artificialmente para mascarar o real tamanho do rombo financeiro.

Em seu posicionamento, o deputado estadual comparou o caso a outros escândalos financeiros recentes do mercado:

“O que a PF encontrou explica o tamanho do estrago. O Digimais maquiava balanço e inventava receita para parecer saudável. Era a mesma jogada usada no Banco Master de Vorcaro. Em fevereiro deste ano, o rombo já beirava 500 milhões”, declarou Emidio de Souza.

Conexões políticas e ramificações na capital
O caso joga luz sobre as conexões partidárias na engrenagem política paulista. O governador Tarcísio de Freitas é filiado ao Republicanos, partido que nasceu de lideranças ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), fundada por Edir Macedo, e que hoje é presidido nacionalmente pelo bispo licenciado Marcos Pereira.

A ofensiva comercial do Digimais também avançou sobre a esfera municipal. A Prefeitura de São Paulo formalizou o credenciamento do banco para consignados em outubro de 2023, estendendo as operações para o Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) em dezembro do mesmo ano.

Apesar do esforço político e das autorizações oficiais, fontes do setor financeiro revelaram ao portal UOL que o volume de empréstimos despencou nos últimos meses. O temor do mercado e os rumores de venda da instituição fizeram com que a procura por crédito consignado entre policiais e servidores municipais se tornasse “baixíssima” recentemente.

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