Piso salarial, formação docente e políticas de permanência ampliam perspectivas para mulheres que educam e transformam o país
A reconstrução da educação pública brasileira passa obrigatoriamente pela valorização das mulheres, que representam hoje mais de 80% do corpo docente da rede básica no país. Sobrecarregadas pela dupla ou tripla jornada entre as salas de aula e as responsabilidades do cuidado, as educadoras recuperaram o protagonismo com o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) aponta que o Brasil enfrenta os reflexos de um “apagão” de professores, com faltas críticas em exatas, ciências biológicas, artes e línguas estrangeiras. O desinteresse da juventude pelo magistério é reflexo de anos de desvalorização profissional e precarização promovidas por gestões passadas.
“Incentivar a formação docente, a exemplo do Pé de Meia Licenciaturas e do Pibid, e atrelar essa política à valorização do piso e das carreiras, são caminhos extremamente importantes para atrair a juventude para a profissão”, diz a CNTE.
Salário digno e direitos protegidos
Na educação básica, a grande vitória da categoria consolidou-se com o cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional, fixado em R$ 5.130,63. O avanço garante ganho real acima da inflação e cria diretrizes nacionais para os planos de carreira, impedindo o achatamento salarial histórico.
Essas medidas federais visam reverter a sobrecarga que moldou a profissão. É o caso de Jessyca Lorena, professora da rede pública de Goiás que atua no Ensino Fundamental II, Ensino Médio e em cursinho pré-vestibular.
“Trabalhar simultaneamente em várias frentes ilustra o cenário de sobrecarga que a nossa categoria enfrenta historicamente. O cumprimento do Piso Nacional é um investimento na nossa saúde e na qualidade da educação que entregamos”, afirma Jessyca.
A CNTE enfatiza que a articulação entre o FUNDEB, o Piso Salarial, o Pé-de-Meia e o Bolsa Família é essencial para a manutenção dos jovens na escola. No âmbito federal, os acordos de negociação reestruturaram carreiras e aplicaram reajustes históricos nos benefícios indiretos, gerando alívio financeiro imediato para as chefes de família:
- Auxílio-Alimentação: Alcançou o valor de R$ 1.192,00.
- Auxílio Pré-Escolar (Creche): Reajustado para R$ 526,34 para docentes com filhos pequenos.
- Mães Cientistas: Prorrogação de prazos em bolsas da CAPES e CNPq em casos de maternidade.
Permanência estudantil e emancipação
As políticas de permanência estudantil ganham força com o recorte de gênero. A bancada da educação no Congresso, com a articulação da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), atua para garantir assistência estudantil e bolsas de graduação como ferramentas de autonomia para as mulheres.
Keli da Rocha França, alfabetizadora em Corrente (PI), destaca que essas iniciativas reduzem os obstáculos econômicos na formação docente.
“Precisamos que as futuras estudantes enxerguem o magistério como uma escolha de valor, capaz de transformar suas próprias vidas e a sociedade”, diz.
Essa mudança de percepção aponta para as diretrizes sociais do governo federal: demonstrar que a escolha pela sala de aula não significa renunciar à estabilidade.
Educação, ferramenta que liberta
A secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, destaca que a educação é sempre libertadora e diz que o papel de professoras e professores na formação de novas gerações é essencial. “Não há futuro sem investir na educação e o presidente Lula sabe bem disso”, diz a dirigente partidária.
O ciclo da proteção social
A estudante Manuela Pereira Araújo dos Santos, de 18 anos, conta que o auxílio garantiu a compra de materiais e a alimentação na jornada integral, permitindo iniciar uma poupança para a faculdade.
“O Pé-de-Meia deu uma aliviada gigantesca. Tive mais oportunidade de lazer e abrimos uma poupança para garantir o início de um futuro acadêmico tranquilo”, conta.
Ao ingressar no ensino superior, Manuela optou pela licenciatura em Educação Física, quebrando barreiras de gênero na área. Hoje estagiária, ela defende uma formação de excelência.
“Fico extremamente feliz em saber que o governo atual investe na categoria, e espero ter ainda mais oportunidades no futuro como docente graças às políticas públicas.”
Histórias como a de Manuela fecham o ciclo projetado no terceiro mandato do presidente Lula. O Estado que garantiu a conclusão do colégio é o mesmo que financia sua permanência na graduação e sinaliza, por meio da lei do piso, que o mercado de trabalho a receberá com respeito e dignidade.
Da redação do Elas por Elas.










