Deputado petista classificou esquema como “organização criminosa” e defendeu investigação sobre empréstimos, propinas e financiamentos de campanha de bolsonaristas
O deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), líder da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara, defendeu nesta segunda-feira (11) a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o megaescândalo envolvendo o Banco Master e, por extensão, o Banco de Brasília (BRB).
Em discurso, o parlamentar denunciou um “acordão” para barrar investigações que atingem os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo Uczai, o objetivo do acordo seria evitar apurações sobre repasses de recursos do banqueiro Daniel Vorcaro – atualmente preso – ao senador Ciro Nogueira. “Fizeram acordão para não investigar o Banco Master”, afirmou o deputado, apontando que o parlamentar bolsonarista, segundo investigações da Polícia Federal, recebeu de mesada de Vorcaro R$ 500 mil mensais, além de ter comprado um apartamento em São Paulo por R$ 22 milhões à época em que propôs um projeto de lei para ampliar os limites de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida que beneficiaria correntistas do Banco Master.
Mansão de Flávio Bolsonaro
O deputado também apontou o senador Flávio Bolsonaro como alvo necessário da futura CPMI. Uczai afirmou que o parlamentar comprou uma mansão em Brasília por R$ 6 milhões, com financiamento parcial contratado junto ao BRB em condições privilegiadas. “Por isso que a gente está chamando de Bolsomaster: interesses defendendo, aqui, duas organizações criminosas”, declarou.
Uczai listou outros temas que, segundo ele, deveriam ser incluídos na investigação: “Investigação já! CPMI já, do Banco Master! CPI para investigar o BRB e as falcatruas do Ibaneis (ex-governador bolsonaristas do DF) e do ex-presidente do Banco”.
Segundo Uczai, devem ser investigados também o fundo de previdência de funcionários públicos do Rio de Janeiro, por ter investido mais de R$ 1 bilhão em títulos podres do Banco Master, assim como o financiamento de campanhas de Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, ambos com o suporte de Daniel Vorcaro nas campanhas de 2022.
O líder do PT encerrou o discurso com críticas ao que chamou de blindagem política e defesa da democracia: “Cada dia que passa a gente denuncia quem são os corruptos, quais são as quadrilhas que se organizam neste País. CPMI já! E viva a democracia! E ditadura nunca mais!”
Da página PT na Câmara
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados











