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A luta invisível e a força coletiva na proteção animal de Presidente Prudente – artigo de Marta Cristina Nucci e Zety Ferraz

Por um compromisso real do poder público com a causa animal e com quem dedica a vida a ela

Em Presidente Prudente, a proteção dos animais domésticos subsiste e resiste graças ao esforço incansável de mulheres e homens que transformaram a empatia em ação.
Organizadas por conta própria, seja como protetoras independentes ou estruturadas em ONGs, essas militantes tecem uma verdadeira rede de solidariedade para resgatar, cuidar e alimentar animais que carregam no corpo e no olhar as marcas do abandono e da vulnerabilidade.

Diante do frequente superlotamento dos abrigos, essas verdadeiras guerreiras da causa animal transformam as próprias casas e os lares de voluntários em refugos temporários de esperança. O objetivo maior dessa engrenagem comunitária é garantir um lar responsável e seguro para cães e gatos que necessitam de saúde, nutrição e afeto. No entanto, essa jornada não pode e nem deve continuar sendo travada na invisibilidade.

O abismo da falta de dados e a urgente aproximação com o poder público
Atualmente, o município de Presidente Prudente não conta com um cadastro oficial que identifique quem são e onde estão essas protetoras e esses animais. Sem essa cartografia, torna-se inviável planejar um manejo populacional e sanitário ético, saudável e eficiente para os animais comunitários.

O cuidado com a fauna doméstica é uma questão de saúde pública e de convivência social segura. Para que o trabalho incansável dessas militantes traga frutos duradouros, é fundamental que a prefeitura se aproxime da causa e assuma a sua responsabilidade constitucional.

Uma solução viável e ao alcance do município é a adesão e o incentivo ao SinPatinhas — o Sistema de Cadastro Nacional de Animais Domésticos, lançado pelo Governo Federal.
Funcionando como um “RG Animal” gratuito e gerando uma carteirinha digital com QR Code, a ferramenta simplifica a identificação de pets perdidos e fornece dados essenciais para o planejamento de campanhas públicas de vacinação, castração e atendimento veterinário.

Com dados concretos em mãos, o manejo ético — que envolve nutrição, higiene, abrigo e assistência veterinária preventiva — deixa de ser um sonho isolado das protetoras e passa a ser uma política pública municipal consolidada.

Diversidade e amplitude da fauna doméstica
Vale ressaltar que o conceito de animal doméstico vai muito além dos cães e gatos que habitam nossos lares. Conforme a classificação oficial do IBAMA, a lista de espécies consideradas domésticas no Brasil abrange:

Abelha, alpaca, avestruz, bicho-da-seda, búfalo, cabra, cachorro, calopsita, camelo, camundongo, canário-do-reino (ou canário-belga), cavalo, chinchila, cisne-negro, cobaia (ou porquinho-da-índia), codorna-chinesa, coelho, diamante-de-gould, diamante-mandarim, dromedário, escargot, faisão-de-coleira, gado bovino, gado zebuíno, galinha, galinha-d’angola, ganso, ganso-canadense, ganso-do-nilo, gato, hamster, jumento, lhama, manon, marreco, minhoca, ovelha, pato-carolina, pato-mandarim, pavão, perdiz-chucar, periquito-australiano, peru, phaeton, pomba-diamante, pombo-doméstico, porco, ratazana, rato e tadorna.

É fundamental destacar que cada espécie deve ser consultada individualmente no Anexo I da Portaria Ibama nº 93/1998, pois algumas podem conter restrições específicas — como é o caso da chinchila, autorizada apenas quando reproduzida em cativeiro. Como essa lista pode sofrer alterações e atualizações normativas a qualquer momento, o ideal é acompanhá-la periodicamente através do site oficial do IBAMA.

Unir forças pelo bem-estar animal e humano
A luta das protetoras de Presidente Prudente é um ato de cidadania e de amor profundo à vida. Contudo, o amor não substitui o dever do Estado.

Nossas protetoras necessitam — e merecem — um diálogo permanente e uma parceria efetiva com a gestão pública municipal. Com integração, planejamento e dados precisos, Presidente Prudente pode se tornar um modelo de cidade responsável, onde o respeito aos animais garante uma convivência mais harmônica, justa e humana para toda a sociedade.

Marta Cristina Nucci é Presidenta da ASTAE – Associação de Saúde, Trabalho, Ambiente e Educação
Zety Ferraz é Coordenadora da ASTAE e há 15 anos atua como protetora e militante da causa animal.

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