Presidente lembra que orçamento deixado por Jair Bolsonaro fazia cortes no Farmácia Popular, Mais Médicos, controle de câncer, infraestrutura escolar e prevenção de desastres
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou nesta quinta-feira, 8, que o “tesouraço” anunciado por Flávio Bolsonaro representa uma ameaça à renda dos trabalhadores e aos programas sociais. Lula criticou propostas de ajuste fiscal que preservam os mais ricos e impõem sacrifícios à população, lembrando os cortes em saúde, educação e moradia previstos no orçamento deixado pelo governo de Jair Bolsonaro.
“Quando fala de ajuste fiscal, ele não fala tentando fazer com que os ricos percam alguma coisa. Eles fazem essa proposta para tirar do pobre”, afirmou.
Para mostrar o que está em jogo na discussão sobre cortes, o presidente falou sobre a situação encontrada na transição para seu terceiro mandato. Segundo Lula, o orçamento herdado de Bolsonaro previa reduções de 59% no Farmácia Popular, 50,7% no Mais Médicos e 45% na prevenção e no controle do câncer.
O presidente também citou cortes de 97% nos recursos para infraestrutura escolar, 99% na prevenção de desastres, 95% no Minha Casa, Minha Vida e no Sistema Único de Assistência Social, além de mais de 90% nas cisternas do semiárido. Lembrou ainda que a merenda escolar havia passado cinco anos sem reajuste.
“É muito importante a gente ficar atento para não permitir que a sociedade brasileira seja enganada mais uma vez”, declarou.
Lula relacionou a retomada dessas políticas à aprovação da PEC da Transição, antes de assumir o governo, e advertiu que promessas genéricas de redução de despesas precisam ser examinadas pelos efeitos concretos sobre a vida das famílias.
“Quando se falar em corte significa meter a mão no bolso do povo trabalhador”, afirmou.
O presidente também contestou a promessa do adversário de conceder aumentos acima da inflação às aposentadorias. Ressaltou a política de valorização do salário mínimo dos governos petistas e argumentou que os trabalhadores, inclusive os aposentados, têm direito a participar da riqueza produzida pelo país.
Na discussão sobre as contas públicas, Lula apontou o crescimento econômico e o investimento como caminhos para reduzir o peso da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Citou ferrovias, hidrelétricas e rodovias como exemplos de obras que ampliam o patrimônio nacional e impulsionam a atividade econômica, destacando a experiência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Fim da escala 6×1 cada vez mais perto
A crítica ao plano fiscal de Flávio Bolsonaro foi acompanhada de uma cobrança para que o Congresso avance em direitos trabalhistas. Lula pediu mobilização para aprovar o fim da escala 6×1 na próxima semana, diante da resistência de aliados do candidato à redução da jornada.
“Nós queremos dizer ao povo brasileiro que nós vamos conseguir aprovar uma lei que garanta ao trabalhador e à trabalhadora o direito de ficar dois dias em casa e trabalhar 5 dias. Esse é o nosso compromisso, sem redução de salário para as pessoas”, declarou.
O presidente também criticou uma possível orientação de Flávio para que o PL se abstenha na votação. Lula afirmou que essa postura permitiria ao adversário evitar um compromisso com os trabalhadores.
“Ele está com vergonha de dizer que não vai estar no plenário, mas está pedindo para o partido dele, o PL, se abster na perspectiva de não assumir compromisso com a redução da jornada de trabalho para o povo trabalhador brasileiro”, disse.
Presente no encontro, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) informou que a terceira sessão de discussão da proposta havia sido realizada nesta quinta-feira. Segundo ela, a quarta está prevista para terça-feira, 13, e a quinta para quarta-feira, 14, quando a PEC estará apta à votação.
“Eu tenho convicção, presidente, que a sua base e mais alguns darão a vitória ao fim da jornada 6 x 1”, afirmou Teresa.
‘Estou convencido que eu vou ganhar as eleições’
Questionado pela imprensa sobre o segundo turno, Lula afirmou que sua prioridade é conquistar votos e conversar com a população.
“O único jeito de você ganhar uma eleição é você ganhar voto. E eu estou convencido que eu vou ganhar as eleições”, declarou.
Sobre mudanças na coordenação da campanha, o presidente explicou que as decisões cabem ao partido e aos aliados. Também anunciou participação em uma atividade na feira da Ceilândia, seguida de carreata, na sexta-feira, 9, e reforçou o apoio a Leandro Grass (PT-DF) na disputa pelo governo do Distrito Federal.
Perguntado sobre pesquisas eleitorais, Lula voltou a destacar o trabalho de campanha: “A minha obrigação é trabalhar, pegar esses votos”.
Da Rede PT de Comunicação










