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PL nem disfarça falta de compromisso com democracia: ‘Discutiram dar o golpe, e daí?’

Em entrevista a rádio, Valdemar Costa Neto admite planejamento para tirar Lula do poder e defende anistia para Jair Bolsonaro e demais envolvidos no 8 de janeiro de 2023

O 8 de janeiro de 2023, data em que ocorreram os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, após a tentativa de golpe de Estado articulada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e por seus aliados, voltou ao centro do debate político. A anistia aos envolvidos na trama golpista é uma das principais propostas do candidato da extrema direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na quarta-feira, 7, em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, admitiu que houve discussões sobre um golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) – cuja tentativa ocorreu em 8 de janeiro de 2023 –, e minimizou a falta de compromisso com a democracia.

“Tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí?”

Apesar das provas reunidas nas investigações e das condenações, Costa Neto afirmou que o planejamento do golpe não pode ser considerado crime porque ele não foi executado. O dirigente também voltou a defender a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

Questionado diretamente pelo jornalista sobre a existência de um planejamento de golpe de Estado, o presidente do PL respondeu afirmativamente:

“Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois que está errado e para no meio?”, disse.

Ainda durante a entrevista, Valdemar foi questionado se uma articulação semelhante poderia ocorrer novamente em um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e se seus aliados poderiam tentar um novo golpe.

Porém, no decorrer da entrevista Valdemar tentou descartar essa possibilidade, mencionando as consequências da condenação e da prisão de Jair Bolsonaro.

“Pode haver planejamento, não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro, o que tá pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, declarou.

Projeto do PL é anistiar Bolsonaro e todos os golpistas
O dirigente voltou a insistir na defesa da anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Segundo Valdemar, a intenção do partido é “soltar todos os militares que estão presos injustamente”.

Para justificar sua posição, o presidente do PL comparou o planejamento golpista ao planejamento de um assassinato, desconsiderando as diferenças dos crimes contra o Estado Democrático de Direito.

“A lei diz que você pode planejar um assassinato, mas se você não assassinou o camarada, e não tentou, não é crime”, comentou.

Entre os possíveis beneficiados pela anistia, Valdemar acredita que Jair Bolsonaro seria o principal nome a receber o perdão, caso seu filho vença o segundo turno da eleição presidencial.

Além dos apoiadores, os condenados por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe de Estado são integrantes do núcleo do ex-presidente na trama golpista, entre eles o próprio Jair Bolsonaro, os generais Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, além de Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Vale lembrar que a Polícia Federal identificou, durante as investigações, o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato do presidente Lula (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Da Rede PT de Comunicação

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