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Lindbergh acusa Flávio Bolsonaro de mentir sobre relação com Vorcaro e cobra explicações sobre os R$ 61 milhões

Deputado petista do RJ detalhou contradições e mentiras do senador e levantou suspeitas sobre dinheiro enviado ao Texas

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou a tribuna da sessão conjunta do Congresso Nacional, nesta quinta-feira (21), para confrontar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro apontado como principal investigado no escândalo do Banco Master. Em seu pronunciamento, o petista enumerou o que classificou como uma sequência de mentiras do senador e cobrou explicações sobre os R$ 61 milhões enviados a um fundo nos Estados Unidos.

As contradições de Flávio
Lindbergh traçou uma linha do tempo das declarações públicas de Flávio Bolsonaro sobre Vorcaro. Segundo o deputado, em 16 de março, quando a jornalista Mônica Bergamo revelou que o número de telefone do senador havia sido encontrado no celular do banqueiro, Flávio respondeu que ‘nunca teve contato’ e que ‘muita gente tem meu número de celular’.

A negativa se tornou insustentável, na avaliação de Lindbergh, após a divulgação de áudios nos quais Flávio trata Vorcaro por “irmãozão” e diz frases como “com a gente não tem meia conversa, dê-me uma luz” e “estou e sempre estarei contigo”. A nova versão do senador passou a ser a de que os dois se conheceram apenas em 2024, “quando ninguém sabia de nenhum envolvimento dele”.

O deputado, porém, afirma que Flávio visitou Vorcaro um dia após o banqueiro deixar a prisão usando tornozeleira eletrônica, visita que teria ocorrido dias antes de o próprio senador anunciar sua pré-candidatura à Presidência da República. “Era de tanta intimidade que foi falar primeiro para ele?”, questionou Lindbergh, insinuando que Flávio poderia ter ido buscar apoio financeiro para a campanha.

O dinheiro e o fundo no Texas
O ponto central das acusações envolve R$ 61 milhões enviados por Vorcaro a um fundo chamado Ravengate, registrado no Texas, cidade onde mora Eduardo Bolsonaro, e administrado pelo advogado Paulo Calixto, que Lindbergh identificou como advogado do próprio Eduardo.

O petista destacou que a primeira parcela, de US$ 2 milhões, chegou ao fundo em 14 de fevereiro, e que no final do mesmo mês foi comprada uma casa na mesma cidade texana por R$ 3,6 milhões. O dinheiro teria sido justificado como investimento no filme. Além disso, a produtora do longa afirmou que toda a obra foi rodada no Brasil.

“Como é que sai dinheiro do Brasil, vai para os Estados Unidos e o filme é rodado aqui? Que viagem do dinheiro foi essa?”, questionou Lindbergh. Para ele, os valores excedentes teriam sido usados “para conspirar contra o Brasil”, inclusive financiando pressões por sanções e tarifas internacionais contra o país.

A rua pressiona por CPMI
Lindbergh se pronunciou no contexto da pressão pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso Master. O deputado afirmou que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, “não vai conseguir segurar” a CPI diante da pressão das ruas e dos novos fatos que, segundo ele, continuarão a surgir. “Vão ter outras sessões do Congresso. A pressão vai aumentar”, pontuou.

Flávio Bolsonaro subiu à tribuna durante a sessão, mas, como avaliou Lindbergh, não respondeu a nenhuma das perguntas levantadas. “Por respeito ao Brasil, deveria ter respondido a esses questionamentos, que são questionamentos da sociedade”, finalizou o deputado, que é vice-líder da Maioria no Congresso.

Por Elisa Alexandre (página PT na Câmara)
Foto: Gabriel Paiva (divulgação)

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