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Lula acompanha cirurgia robótica do SUS: ‘Ninguém pode morrer por falta de médico’

Em Belém, presidente anuncia ampliação de exames e cirurgias pelo Agora Tem Especialistas, sanciona lei que fiscaliza hospitais privados e diz que região amazônica não é esquecida

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta segunda-feira, 28, o complexo hospitalar da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará, em Belém. Conheceu a estrutura ampliada do Hospital São João de Deus, acompanhou a primeira cirurgia robótica realizada pelo SUS na Amazônia e sancionou a lei que cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela Iniciativa Privada.

Lula disse que a cirurgia robótica de próstata pelo SUS é “como se fosse um milagre”. Lembrou que muitos homens evitam o exame por preconceito ou por medo de possíveis sequelas, e explicou que a tecnologia muda esse quadro: “O robô é muito mais preciso do que a mão do ser humano no manuseio de uma cirurgia. Ele não corta 1 milímetro além daquilo que tem que cortar”.

O presidente disse que a novidade tem um significado maior por ser a primeira na Amazônia. Afirmou que a região não é “esquecida” por ele.

Lula citou diversos benefícios do SUS e conquistas dos seus governos, como o SAMU, o Farmácia Popular e o Brasil Sorridente.

“O que nós queremos é levar para as pessoas que foram tratadas como invisíveis a vida inteira o direito de ser enxergadas. Ninguém pode morrer por falta de um médico, de uma injeção, de uma vacina”, declarou.

O presidente também lembrou a importância que os profissionais de saúde e o SUS tiveram durante a pandemia de covid. Afirmou que sem isso o país teria tido “muito mais gente morta”. “Não tem nada igual ao SUS em nenhum lugar do mundo, e nós temos que continuar sendo exemplo”, defendeu.

Investimentos para atenção especializada
O complexo recebeu da União R$ 35,51 milhões em equipamentos e R$ 11,43 milhões para o custeio da atenção especializada. Com a ampliação, passa a reunir 514 leitos gerais, 120 leitos de UTI e cuidados intermediários e 23 salas cirúrgicas, além de tomógrafos, aparelhos de ressonância magnética, salas de hemodinâmica e máquinas de hemodiálise. O serviço de hemodinâmica já realizou 2,7 mil procedimentos, e o complexo integra a Rede de UTIs Inteligentes do SUS, com 20 leitos.

Pelo Agora Tem Especialistas, os conjuntos de equipamentos para cirurgias gerais e oftalmológicas permitem ampliar a capacidade da instituição em mais 1,6 mil procedimentos por ano. No Pará, são 16 conjuntos (12 de cirurgia geral e quatro de oftalmologia), com capacidade estimada de mais 25,6 mil procedimentos anuais.

No primeiro semestre de 2026, o estado realizou 203,5 mil cirurgias eletivas. Na Beneficente Portuguesa, o programa já soma 342 procedimentos, com investimento de R$ 664,3 mil. O complexo também está implantando uma Unacon e receberá um novo acelerador linear, com capacidade adicional de 600 atendimentos de radioterapia por ano.

Padilha: “O SUS está preparado”
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o Agora Tem Especialistas como o programa que permite ao SUS aproveitar a estrutura já existente dos hospitais, como na Beneficente Portuguesa.

O ministro atribuiu o avanço a uma decisão de Lula no início do governo: “Existia no Brasil uma coisa chamada congelamento dos recursos da saúde pelo teto de gastos. […] O presidente assumiu e acabou com esse negócio”. Ele ressaltou que o resultado aparece na fila: o programa está ajudando o país a bater recorde de cirurgias eletivas.

Sobre a cirurgia robótica, Padilha lembrou que foi por determinação do presidente que a tecnologia chegou ao SUS. “É uma cirurgia que lesa menos o paciente”, explicou, com menos risco de sequelas, alta mais rápida e menos risco de infecção hospitalar. “O SUS está preparado para, nos próximos anos, ter pelo menos um centro de cirurgia robótica pelo SUS em cada estado”, projetou.

O ministro citou ainda a rede de hospitais inteligentes, em que “todos os equipamentos estão conectados entre si” e o profissional acompanha o paciente “em qualquer lugar do hospital ou de casa”, além da chegada de especialistas ao interior. “Pela primeira vez o governo federal está ajudando os estados e municípios a fixar o médico especialista”, disse.

Controle de qualidade no atendimento
Durante o evento, o presidente também sancionou a lei que cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela Iniciativa Privada. O objetivo é garantir a segurança do paciente e a oferta de atendimento com qualidade nos serviços de saúde privada do país.

A política estabelece padrões, estruturas e processos de cuidado com o paciente de acordo com as normativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), além da divulgação periódica dos resultados de qualidade, bem como estabelece multas, que variam de R$ 5 mil a R$ 500 mil, para instituições que não cumprirem os requisitos.

Segundo Padilha, faltava uma agência com competência para fiscalizar o funcionamento dos hospitais privados: “A gente vai ter a Anvisa e a Agência Nacional de Saúde Suplementar também com competência para exigir qualidade no atendimento”.

Da Rede PT de Comunicação

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