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Em Belém, Lula reúne 80 mil pessoas e pede respeito às religiões, às mulheres e ao Brasil

“Enquanto eu for presidente, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida”, avisa o presidente. Ele também manda recado a Donald Trump sobre interferência nas eleições

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou respeito à fé dos brasileiros e afirmou que nenhuma religião pode se considerar dona da verdade, durante comício que reuniu cerca de 80 mil pessoas na Praça da República, em Belém, na noite desta segunda-feira, 28. Diante da multidão que ocupou o espaço em frente ao Theatro da Paz, ele ressaltou que o respeito deve alcançar todas as crenças. Lula também criticou o pastor André Valadão, da Igreja da Lagoinha, a quem atribuiu uma sociedade com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive a religião de matriz africana. Ninguém é dono da verdade. A única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era sócio do Vorcaro.”

Lula dividiu o palanque com a primeira-dama Janja da Silva e a governadora Hana Ghassan (MDB), candidata à reeleição no Pará. Também participaram do ato político os candidatos ao Senado: o ex-governador Helder Barbalho (MDB), o presidente da Assembleia Legislativa, Chicão Melo (União Brasil), e o ex-ministro do Turismo Celso Sabino (PDT).

No comício, Janja também condenou o uso da religiosidade para manipular a população. “Se dizem enviados de Deus, mas vivem às custas da fé das pessoas. Fé é coisa séria e deve ser respeitada, qualquer que seja a sua religião”, declarou.

A primeira-dama contou que havia visitado a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré e recordou suas participações no Círio. Também relatou que recorreu à sua devoção quando Lula sofreu uma queda, em 2024.

Lula cobrou uma investigação profunda sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com a identificação de todos os envolvidos e dos beneficiários da maior fraude do sistema financeiro do país. O candidato Flávio Bolsonaro, do PL, pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio é investigado em inquérito no Supremo por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O presidente Lula afirmou que a população tem o direito de conhecer o destino do dinheiro do Master e as relações espúrias, atingindo políticos e membros do Judiciário, que sustentaram as irregularidades do banco. “Eu quero que seja feita a apuração para que a gente saiba quem meteu a mão no dinheiro”, afirmou.

O presidente relacionou o enfrentamento ao caso Master às ações contra as fraudes que atingiram aposentados e pensionistas. O banco utilizou recursos de depósito consignado de fundos de previdência de servidores. Segundo Lula, seu governo atuou para prender os responsáveis, “a quadrilha do INSS”, recuperar recursos e ressarcir as vítimas dos descontos indevidos.

Recado a Trump

Na defesa da soberania, o petista enviou um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra qualquer tentativa de interferência na escolha dos brasileiros durante o pleito deste ano.

“Não se meta nas eleições do Brasil. Esse país tem dono. O dono desse país chama-se povo brasileiro, que é o dono da democracia”, afirmou.

Lula ressaltou que cabe exclusivamente às mulheres e aos homens do país decidir seu futuro.

A capacidade de realizar as mudanças desejadas pela população, acrescentou, também depende das escolhas para o Congresso Nacional. O presidente pediu votos em candidatos comprometidos com seu projeto e alertou para as consequências de eleger representantes do bolsonarismo para mandatos de oito anos no Senado.

Lula reiterou que pretende acabar com o orçamento secreto e promover reformas na política e no Judiciário. “Eu quero acabar com o orçamento secreto. Eu quero fazer reforma política. Eu quero fazer reforma do Poder Judiciário”, declarou. Para concretizar essas medidas, ressaltou, será necessário eleger representantes dispostos a apoiar as transformações.

Homens convocados a proteger as mulheres
Lula fez um chamado aos homens para que assumam a responsabilidade de combater a violência contra as mulheres. O presidente pediu que essa conscientização aconteça no trabalho, nas igrejas e nos demais espaços de convivência, com conversas que ajudem a mudar comportamentos e impedir agressões.

“Vamos conscientizar os companheiros na porta de fábrica, na porta de banco, no comércio, na igreja. Vamos dizer: companheiros, não vamos ter violência contra a mulher. Vamos tratar nossas parceiras com respeito, com carinho”, afirmou.

O presidente ressaltou que uma relação afetiva não dá a ninguém o direito de controlar a vida da companheira. Também cobrou a divisão das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos, lembrando que a entrada das mulheres no mercado de trabalho não foi acompanhada, na mesma medida, pela participação masculina nas responsabilidades da casa.

Para Lula, a mudança precisa começar na infância, com uma educação que ensine igualdade e respeito. O presidente também associou a formação profissional à autonomia feminina: com uma profissão, emprego e renda, a mulher tem mais condições de escolher com quem deseja viver, sem depender financeiramente de uma relação.

‘Dívida do Estado com o povo pobre é muito grande’
A ampliação das oportunidades educacionais foi apresentada como prioridade para o próximo mandato. Lula reafirmou o compromisso de levar escolas de tempo integral a todo o território nacional, até o ensino médio, e universalizar o Pé-de-Meia, medidas previstas entre suas propostas para os próximos quatro anos.

“Eu sei que ainda temos muita coisa para fazer, porque a dívida do Estado brasileiro com o povo pobre é muito grande. Se a gente não investir na educação, a gente vai ter que investir em cadeia. E eu prefiro investir em educação”, declarou.

Lula convidou o público a avaliar sua trajetória e as realizações de seus governos. Citou programas como o Samu, o Farmácia Popular, o Brasil Sorridente e o Pé-de-Meia, além da expansão das universidades e dos institutos federais e da valorização do salário mínimo acima da inflação.

“Você não lembra o que os outros fizeram”, disse. O presidente desafiou os presentes a comparar as entregas e destacou que sua disposição para governar continua ligada ao compromisso com a população. Aos 80 anos, afirmou que mantém a motivação porque tem uma causa: o povo brasileiro.

Parceria pelo Pará
A governadora Hana Ghassan destacou as mudanças proporcionadas pela parceria com o governo federal e pela realização da COP30 em Belém. Citou obras que melhoraram a vida de moradores de áreas antes atingidas por alagamentos e afirmou que o legado também envolve a autoestima da população. “Nós voltamos a sonhar”, disse. Hana agradeceu a Lula por manter a conferência na capital paraense diante das resistências e reafirmou o compromisso de combater a violência contra as mulheres.

O ex-governador Hélder Barbalho ressaltou que governou o Pará durante as gestões de Bolsonaro e Lula e que essa experiência tornou sua escolha inequívoca. “Foi a parceria com o seu governo que permitiu que nós fizéssemos muita coisa em favor do Pará”, afirmou. Hélder destacou que as diferenças partidárias não impedem a união em torno da democracia e da continuidade das conquistas do país.

Chicão associou seu apoio a Lula a uma trajetória construída pelo diálogo e pelo compromisso coletivo. Filho de seringueiro, afirmou que aprendeu a honrar a palavra e ressaltou a identificação com o projeto de combate à fome e fortalecimento da democracia. “Eu estou aqui, presidente Lula, porque eu acredito neste projeto”, declarou.

Celso Sabino encerrou sua participação destacando histórias de paraenses que tiveram a vida transformada pelas políticas públicas, entre eles uma médica que chegou à universidade pelo sistema de cotas e uma moradora de Breves beneficiada pelo Gás do Povo. “Programa social tem rosto, tem nome e tem uma história”, afirmou. O ex-ministro também ressaltou que decidiu permanecer ao lado de Lula quando seu antigo partido pressionou pelo rompimento com o governo.

Proteção para a vitória
O presidente ganhou do ex-governador Hélder Barbalho, que disputa o Senado, uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré: “Em nome de todos os paraenses devotos, para que ela possa abençoar a sua vitória”, afirmou.

O Círio de Nazaré, evento é realizado anualmente em outubro em Belém, reúne milhões de fiéis e é uma celebração religiosa, católica, reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Em 2024, Lula acompanhou a procissão do Círio na capital do Pará.

Da Rede PT de Comunicação

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