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Vale do Paraíba (SP): com “Ainda Estou Aqui” e homenagem a Clarice Lispector, Silveiras se transforma em cinema a céu aberto nos dias 4, 5 e 6 de junho

A histórica e charmosa cidade de Silveiras, encravada nos contrafortes da Serra da Bocaina, está prestes a se tornar o epicentro cultural do Vale do Paraíba paulista. Começa nesta quinta-feira, dia 4 de junho, a 1ª Mostra SilveirArte de Cinema. O evento inédito e totalmente gratuito vai até o sábado (6), ocupando o gramado da sede do Instituto SilveirArte com uma grande estrutura que une o charme das exibições ao ar livre com o conforto e o isolamento técnico necessários para garantir o clássico “escurinho do cinema”.

A proposta é audaciosa: projetar em um grande telão montado sob uma tenda-sala de cinema um total de 13 produções, divididas entre dez curtas e três longas-metragens de destaque nacional e internacional. Para além da experiência visual, todas as sessões — com classificação livre — serão seguidas por rodas de conversa com os curadores da mostra e diretores dos filmes, promovendo um debate aberto com o público local.

A mostra tem o apoio e a participação de membros do Diretório Municipal do PT de Silveiras.

Grandes nomes e eixos temáticos
A programação foi cuidadosamente desenhada sob quatro eixos que cruzam história, memória, o universo infantil, questões ambientais e as tradições regionais. Além de longas brasileiros consagrados e curtas-metragens com produção ou temática regional, a mostra é complementada por temas urgentes da história recente do país. É o caso de obras que abordam a Ditadura Militar brasileira, a temática ecológica e até a identidade latino-americana. Entre os títulos de maior apelo popular e crítico, o festival traz ao Vale Histórico duas obras de peso:

Ainda Estou Aqui : O aclamado drama biográfico dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro. Consagrado com a histórica conquista do primeiro Oscar do cinema brasileiro, o longa reconta a trajetória de Eunice Paiva e encerra o festival na noite de sábado.

Clarice Lispector – A Descoberta do Mundo: Dirigido por Taciana Oliveira, o ensaio documental abre a mostra na noite de quinta-feira. A exibição na região antecipa as homenagens globais à autora para o próximo ano (2027), quando se completam 50 anos de sua morte e do lançamento de sua última obra-prima, A Hora da Estrela.

O clássico Cinema, Aspirinas e Urubus , de Marcelo Gomes, completa a seleção de longas-metragens na noite de sexta-feira.

Da festa literária para a festa do cinema
A ideia da mostra surgiu de forma orgânica durante os debates da terceira edição da Festa Literária de Silveiras (FLIS), realizada no início deste ano pelo Instituto SilveirArte. A cidade carrega uma forte tradição de contadores de histórias e escritores que remonta ao século XIX, abrigando pioneiras da literatura paulista como Emiliana Delminda e Maria do Carmo Sene.

“A FLIS consolidou essa vocação. O cinema nacional está em uma fase muito boa e pensamos: por que não fazer uma mostra aqui? O Instituto SilveirArte nasceu para movimentar a cultura e incentivar tradições locais”, destaca Edmundo de Carvalho, escritor, presidente do Instituto e ex-diretor-presidente da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, de São José dos Campos.

Força regional, ecologia e identidade na tela
Um dos pontos altos do festival é a valorização do audiovisual produzido no próprio Vale do Paraíba e arredores. Entre os curtas da região, destacam-se Fora do Ar, dirigido por Tom Marcondes e produzido por alunos da Unifatea de Lorena; Zaori, um suspense lúdico baseado em mitos brasileiros dirigido por Isabelle Bonatti; e a animação Marungo, de Manoel Saldanha e Jerônimo Vilhena, que resgata poeticamente a tradicional Folia de Reis da Serra da Bocaina com a participação do mestre local Sr. Ditinho Mariano.

A reflexão política e social ganha corpo com os premiados curtas históricos de Marco Simas gravados na virada dos anos 1980, Um Dia… Maria e Com o Andar de Robert Taylor, que trazem uma forte carga metafórica sobre os tempos sombrios do regime de exceção no Brasil.

A preocupação ecológica e urbana se faz presente em animações como Caguaçu, que traça um manifesto de resistência ambiental pelas mutações demográficas e hidrográficas de Ribeirão Pires. A identidade e o pertencimento latino-americano também entram em debate através do documentário SUR, de Marina Gurgel, uma sensível caixa de memórias em formato de diário de intercâmbio gravado em Montevidéu, no Uruguai.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Quinta-feira, 4 de junho
• 19h – Sessão Noturna (Curtas + Longa):
o Zaori (Dir. Isabelle Bonatti)
o Sur (Dir. Marina Gurgel)
o Longa: Clarice Lispector – A Descoberta do Mundo (Dir. Taciana Oliveira)

Sexta-feira, 5 de junho
• 16h – Sessão da Tarde (Público Infanto-juvenil):
o Caixa d’Água / Papa Figo / Aurora / Corações Imaginários
• 19h – Sessão Noturna (Curtas + Longa):
o Fora do Ar (Dir. Tom Marcondes)
o Trilogia da Luz: Cidade da Luz, Marungo, Caguaçu (Dir. Graffiti com Pipoca)
o Longa: Cinema, Aspirinas e Urubus (Dir. Marcelo Gomes)

Sábado, 6 de junho
• 16h – Sessão da Tarde (Público Infanto-juvenil):
o Caixa d’Água / Papa Figo / Aurora / Corações Imaginários
• 19h – Sessão Noturna (Curtas + Longa):
o Um Dia… Maria (Dir. Marcos Simas)
o Com o Andar de Robert Taylor (Dir. Marcos Simas)
o Longa: Ainda Estou Aqui (Dir. Walter Salles)

SERVIÇO
• O quê: 1ª Mostra SilveirArte de Cinema
• Quando: De 4 a 6 de junho de 2026
• Onde: Sede do Instituto SilveirArte (Avenida Gov. Carvalho Pinto, 522 — em frente à Casa da Agricultura — Silveiras/SP)
• Quanto: Entrada Franca (Classificação Livre)

Foto: Jerônimo Vilhena

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