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Haddad alerta sobre avanço do crime organizado e cita apuração do MP que atinge ex-comandante da PM indicado e elogiado por Tarcísio

Investigação do Ministério Público e da Polícia Federal aponta suspeitas de ligação entre oficiais de alta patente da Polícia Militar e operadores financeiros do PCC; ex-ministro defende rigor nas apurações e critica cortes em segurança pública.

Fernando Haddad usou suas redes sociais para fazer um duro alerta sobre os riscos da infiltração do crime organizado nas instituições de segurança pública do Estado de São Paulo. O pronunciamento ocorre após a divulgação de investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Federal (PF) que citam oficiais de alta patente da Polícia Militar por suspeitas de envolvimento em esquemas do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em declaração em vídeo, Haddad ressaltou a gravidade da situação institucional do estado:

“É muito triste ver o crime organizado se infiltrar nas instituições responsáveis por proteger a população. Uma nova investigação do Ministério Público sobre fatos ocorridos entre 2023 e 2024 aponta uma estrutura para obter proteção, facilitar operações e dificultar fiscalizações por meio de oficiais de alta patente. Entre eles está o coronel Coutinho, ex-comandante da PM indicado e elogiado pelo governador Tarcísio de Freitas. Fatos graves precisam ser apurados com todo o rigor. Justamente quando as facções se tornam mais sofisticadas, o governo cortou recursos destinados ao combate ao crime, em vez de fortalecer a inteligência. Precisamos deixar paixões políticas de lado e combater essa ameaça.”

Nas redes, Haddad reforçou que São Paulo “não pode permitir que o crime organizado avance sobre as suas instituições” e afirmou se recusar a “aceitar esse destino para o nosso estado”.

Clique abaixo para ver a postagem de Haddad em seu perfil no Instagram: https://www.instagram.com/reels/DbVWTb9xH_o/

Os bastidores da investigação: viagens, favores e propinas
As declarações ocorrem no esteio de reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, que detalhou o teor de mensagens interceptadas pela Polícia Federal em uma apuração sobre doleiros. As conversas revelam proximidade entre oficiais da PM — incluindo coronéis da reserva — e investigados por atuar na lavagem de dinheiro da facção criminosa.

No centro das apurações está o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, aposentado desde 2019. De acordo com o MP-SP, ele mantinha contatos frequentes com Cleber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, apontados como operadores do esquema e presos nesta semana:

Hospedagem em colônias de férias
Em setembro de 2020, num grupo de mensagens chamado “Viajar Gente Linda”, Pereira Martins convidou Cleber para se hospedar na colônia de férias dos oficiais da PM em Campos do Jordão (SP). Diálogos de 2022 mostram reservas semelhantes na colônia de Boraceia, no litoral paulista.

Influência interna
Em 2023, Cleber enviou ao coronel a foto de um oficial da PM na ativa. Pereira Martins respondeu que o policial era seu amigo e se ofereceu para fazer a ponte direta.

Malote de dinheiro
Uma mensagem de outubro de 2022 exibe a foto de uma sacola com R$ 270 mil em espécie. A suspeita dos investigadores é que o valor estivesse vinculado a propinas para policiais, oriundas de esquemas de lavagem no Brás com tráfico de drogas, criptomoedas e fraudes digitais.

Citação ao coronel Coutinho e outras corporações
O coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da PM-SP na gestão Tarcísio de Freitas e ex-comandante da Rota, também é mencionado nos diálogos interceptados pela PF. Além do caso atual, ele é alvo de apurações na Corregedoria da PM sob suspeitas de:
– Prestação de segurança privada por policiais a empresas de ônibus ligadas ao PCC;
– Vazamento de informações sigilosas que teriam viabilizado a fuga de Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, apontado como liderança da facção nas ruas.

O outro lado
A defesa do coronel Coutinho declarou que as menções ao seu nome no processo são “meramente incidentais e indiretas”, sem imputação de conduta ilícita direta, e reiterou confiança de que sua inocência será demonstrada ao longo da instrução processual.

As conversas analisadas pela PF e MP também citam supostos repasses de propina a policiais civis, incluindo listas com valores entre R$ 100 mil e R$ 300 mil destinados a setores como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e delegacias específicas.

Foto: Agência Brasil

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