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Rui Falcão leva ao STF novos fatos sobre Cerimedo – argentino ligado aos Bolsonaro – e pede investigação sobre possível interferência nas eleições

Deputado pede o aprofundamento das investigações sobre eventual uso de estruturas estrangeiras de desinformação e automação de contas para interferir no processo eleitoral brasileiro, essas estruturas seriam mantidas na Argentina e na Bolívia; Falcão também solicita acesso a provas apreendidas pelas autoridades bolivianas

O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) apresentou nesta segunda-feira (31), ao Supremo Tribunal Federal (STF), novos elementos sobre a atuação do consultor político argentino Fernando Cerimedo e pediu o aprofundamento das investigações sobre uma possível utilização de estruturas estrangeiras de desinformação e automação de contas para interferir no processo eleitoral brasileiro.

A petição destaca, entre os novos fatos, uma campanha de desinformação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que alcançou 475 mil visualizações e teve como ponto de origem o portal argentino La Derecha Diario, ligado a Cerimedo.

As duas denúncias foram baseadas em reportagem e entrevista realizada pelo jornal Folha de S. Paulo.

Depoimento aponta estruturas de automação
Cerimedo foi preso pela polícia boliviana acusado de ser o mandante de uma tentativa de assassinato a tiros contra sua ex-namorada, a advogada e analista política boliviana Nadia Beller.

Em depoimento, publicado pela imprensa, Beller afirmou que o argentino mantinha estruturas de automação de contas em redes sociais na Bolívia e em Buenos Aires. Segundo ela, esse aparato teria sido utilizado nas eleições brasileiras de 2022.

O deputado ressalta, entretanto, que as informações ainda precisam ser submetidas à apuração técnica para verificar eventual relação entre as estruturas mencionadas pela vítima e equipamentos ou materiais apreendidos pelas autoridades bolivianas.

De acordo com o relato apresentado na petição, Cerimedo mantinha duas estruturas de automação na Bolívia e uma terceira, de maior porte, sediada em Buenos Aires, que seria utilizada em operações em diferentes países da América Latina. Segundo Beller, essas estruturas teriam sido empregadas em processos eleitorais no Brasil, em Honduras, no Chile, na Bolívia e na Argentina.

Cerimedo e Flávio Bolsonaro
A ex-companheira do consultor argentino também relatou em entrevista uma possível atuação em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026.

“A entrevistada relatou, ainda, que Cerimedo lhe afirmou, logo após o anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, que ele e seus aliados “iriam lutar” pela candidatura do senador e questionada se compreendeu tal afirmação como indicação de que o investigado auxiliaria a campanha, respondeu que foi o que entendeu naquele momento”, detalha Rui Falcão na petição.

Beller também revelou proximidade pessoal entre Cerimedo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Segundo ela, os dois seriam amigos próximos e teriam se encontrado nos Estados Unidos no início de agosto de 2026, poucos dias antes da prisão do argentino.

Rui Falcão afirma que o encontro se soma à transmissão ao vivo conjunta realizada por Cerimedo e Eduardo Bolsonaro em 24 de julho de 2026, mencionada na notícia de fato original apresentada pelo parlamentar. Na ocasião, os dois questionaram a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro.

Campanha de desinformação
Outro elemento apresentado ao STF é uma reportagem da Folha de S. Paulo, baseada em levantamento do Observatório Lupa, que identificou uma ação coordenada de desinformação contra o Presidente Lula a partir do portal La Derecha Diario.

A publicação argentina divulgou uma matéria com o título “Gravíssimo: Lula impulsiona a imigração de marroquinos para o Brasil”, atribuindo às políticas migratórias do governo brasileiro um suposto aumento da chegada de imigrantes marroquinos a Santa Catarina.

Segundo o levantamento citado na petição, o portal utilizou fotografias relacionadas à crise migratória ocorrida em maio deste ano no enclave espanhol de Ceuta, sem relação factual com a situação migratória de Santa Catarina.

A campanha foi mapeada pelo Observatório Lupa com auxílio da ferramenta Meltwater Explore e, entre 21 e 27 de agosto de 2026, gerou 13,4 mil menções em redes sociais e sites. As publicações alcançaram, somadas, cerca de 475 mil visualizações.

A análise identificou que as postagens partiram principalmente de contas localizadas na Argentina e, posteriormente, no Brasil, com conteúdo publicados em português e espanhol. Entre os disseminadores apontados está o influenciador argentino Christopher Marchesini, recebido em maio de 2026 pelo presidente argentino Javier Milei na Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência da Argentina.

Deputado pede cooperação com a Bolívia
Diante dos novos elementos, Rui Falcão solicita ao STF a ampliação da cooperação jurídica com a Bolívia, além do acesso aos equipamentos e demais provas apreendidas pelas autoridades daquele país.

O deputado também pede a investigação de eventuais financiadores, contratantes ou coordenadores brasileiros das operações e requer que os novos elementos sejam comunicados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE).

“O Brasil precisa saber se estruturas estrangeiras de desinformação estão sendo utilizadas para tentar manipular as eleições de 2026, quem está por trás delas e quem as financia”, afirma Rui Falcão.

Por Héber Carvalho (página PT na Câmara)
Foto: Vinicius Loures/Agência Câmara

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