Em uma sessão marcada por alta tensão e confrontos ideológicos, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou, nesta segunda-feira (11 de maio de 2026), medidas severas contra o deputado estadual Renato Freitas (PT). As decisões incluem duas suspensões de prerrogativas e a recomendação extrema de perda de mandato, gerando forte reação de aliados que classificam o processo como uma tentativa de silenciar vozes periféricas e minoritárias.
Os deputados Arilson Chiorato e Dr. Antenor, colegas de bancada de Freitas, foram as principais vozes de resistência, denunciando o que chamam de “perseguição política explícita” e “oportunismo” por parte de setores da extrema-direita.
Chiorato: “Não é Show da Xuxa para dar Palco para Moleque”
O deputado Arilson Chiorato manifestou profunda indignação durante a sessão, que precisou de intervenção para a retirada de membros da extrema-direita que tentavam tumultuar os trabalhos. Em suas redes sociais, Chiorato foi incisivo ao apontar a falta de fundamentação legal no processo.
“Renato fica! A cassação do mandato do deputado Renato Freitas é injusta! Não há consistência jurídica no processo. Renato representa um mandato popular, periférico, das minorias. Cassar o deputado é silenciar milhares de vozes!”, afirmou Arilson.
O parlamentar ainda criticou duramente a presença de vereadores “caça-likes” na comissão, afirmando que o Conselho de Ética não deveria servir de palco para comportamentos infantis e busca por engajamento digital.
Dr. Antenor: O Voto Contrário e a Tese da Ancestralidade
Membro efetivo da Comissão de Ética, o Dr. Antenor foi o autor dos votos divergentes em todos os processos apreciados. Ele argumentou que as punições são exacerbadas e ignoram nulidades processuais, como o esgotamento de prazos e a suspeição de relatores.
Para Dr. Antenor, o processo contra Freitas não é um julgamento técnico, mas um ataque à representatividade. Ele foi voto vencido ao sugerir penas mais brandas, como censura escrita ou suspensão temporária, em vez da cassação.
“Testemunho mais um capítulo de uma perseguição política explícita… as medidas são fruto de um desejo covarde de silenciar quem carrega em sua ancestralidade a luta do povo”, declarou o deputado.
Entenda as Decisões do Conselho
O colegiado, presidido pelo deputado bolsonarista Delegado Jacovós (PL), deliberou sobre três representações distintas. Embora o Conselho tenha aprovado as punições, o caminho jurídico ainda é longo e cabe recurso. A alegação dos acusadores é que houve quebra de decoro por parte de Renato em manifestações públicas e na própria Assembleia. Os acusadores pediram a cassação pelo confronto físico de um provocador que atacou Renato e sua esposa – que estava grávida – quando saíam de uma consulta médica.
Em sua defesa, Renato afirmou que na briga no centro de Curitiba, ele agiu em legítima defesa para proteger a mãe de sua filha de uma agressão iniciada por um manobrista de estacionamento. Dr. Antenor reforçou que o Tribunal de Justiça já reconheceu que, naquele momento, Freitas não estava no exercício de suas funções parlamentares, o que invalidaria a quebra de decoro.
Próximos Passos
A recomendação de cassação será agora encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para análise de legalidade. Se aprovada, seguirá para o Plenário da Alep, onde todos os 54 deputados estaduais darão a palavra final. Enquanto isso, a militância e parlamentares aliados prometem intensificar a mobilização sob o lema: “Renato Fica!”.











