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Patriotas de aeroporto: a ampla lista de bolsonaristas que fugiram do Brasil

Derrotado, Flávio se juntou a Eduardo Bolsonaro nos EUA. Ramagem, Zambelli, Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio engrossam a lista de foragidos para não responder à Justiça

O patriotismo bolsonarista tem uma curiosa preferência pela ponte aérea internacional quando obrigado a dar explicações à Justiça. Derrotado pelo presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições, o senador Flávio Bolsonaro engrossou a lista da extrema direita e deixou sorrateiramente o país na noite de segunda-feira, 26, pouco mais de 24 horas depois de perder a disputa presidencial.

A viagem de fuga ocorreu diante das investigações criminais e o descumprimento de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu sua saída do território nacional e ordenou a entrega de seus passaportes à polícia federal.Flávio não entregou os documentos. Ao contrário, fugiu do Brasil, e chegou no dia 28 a Miami, nos Estados Unidos.

Ele se junta ao irmão Eduardo Bolsonaro, deputado cassado, e a outros aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro que escolheram a fuga ao exterior, como forma de evitar as investigações, condenações ou ordens judiciais.

A lista é grande: bolsonaristas que passaram anos atacando as instituições brasileiras e deixaram o país para ficar fora do alcance da Justiça brasileira. Confira abaixo alguns expoentes da extrema direita que fugiram do Brasil:

Flávio Bolsonaro: a “mudança” de malas prontas
O senador derrotado perde o foro privilegiado a partir de 2027 e enfrenta as inúmeras investigações que apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e movimentações financeiras envolvendo o seu amigo próximo, o advogado Willer Tomaz, e empresas ligadas ao setor de apostas.

O ministro do Supremo Alexandre de Moraes, com base nessas apurações, determinou a entrega dos passaportes e proibiu o parlamentar de deixar o território nacional.

Após derrota nas eleições, Flávio chegou a declarar em vídeo que cumpriria a decisão judicial, negando qualquer intenção de sair do Brasil. Entretanto, no dia seguinte, o prazo se encerrou sem a entrega dos documentos solicitados. A Polícia Federal comunicou o descumprimento ao STF.

O senador também figura nas investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse (sobre a vida de Jair Bolsonaro) e as operações financeiras suspeitas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso. Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Vorcaro, mas nega irregularidades.

Não havia pedido de prisão do senador. A saída, contudo, deixa claro os seus problemas judiciais diante das restrições impostas pelo Supremo.

Eduardo Bolsonaro: o articulador contra o próprio país
O ex-deputado, que foi cassado, foi um dos primeiros integrantes da família a fugir para os Estados Unidos. Também estava enrolado em investigações.

Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil em março de 2025 e passou a atuar junto com membros do governo norte-americano para que Donald Trump colocasse sanções contra autoridades brasileiras, especialmente ministros do Supremo. A moeda de troca seria a libertação de seu pai, Jair Bolsonaro.

Enquanto o povo brasileiro enfrentava as consequências das medidas comerciais impostas pelo tarifaço dos Estados Unidos, Eduardo pressionava instituições brasileiras, buscando apoio estrangeiro para os próprios interesses políticos e judiciais de sua família.

Como resultado da traição à pátria, respondeu a processo criminal por coação. A maioria do colegiado do Supremo concluiu que ficou comprovada a atuação de Eduardo para interferir no julgamento da ação penal em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Ele foi condenado, por coação, a 4 anos e dois meses de reclusão pelo STF.

Carla Zambelli: condenada, foge para a Itália
A ex-deputada Carla Zambelli trocou o Brasil pela Europa após uma condenação criminal. Condenada pelo STF por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli deixou o país e seguiu para a Itália, onde possui cidadania.

A ex-parlamentar também recebeu condenação pelo episódio em que perseguiu um homem com uma arma de fogo pelas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

O fato, divulgado em vídeos, demonstrou a violência política a qual costumeiramente agem os integrantes do bolsonarismo.

A fuga de Zambelli resultou na sua prisão em território italiano e de lá passou a responder a um processo de extradição solicitado pelo Brasil.

A parlamentar que costumava exigir punições severas para adversários políticos agora enfrenta as consequências de suas próprias condenações. Está marcado para o dia 24 de novembro o julgamento, em Roma, do pedido de extradição de Zambelli.

Alexandre Ramagem: da Abin à fuga para os Estados Unidos
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro, é outro condenado pelo STF por participação na trama golpista que tentou impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. Ele fugiu do Brasil apesar das restrições judiciais que o impediam de viajar ao exterior.

O ex-deputado seguiu para os Estados Unidos, onde passou a permanecer enquanto as autoridades brasileiras buscavam sua extradição.

Ramagem alimentava expectativas de que uma vitória de Flávio Bolsonaro pudesse abrir caminho para uma anistia ou revisão de sua condenação. O que não vai acontecer.

Allan dos Santos: o blogueiro foragido
Allan dos Santos, blogueiro e youtuber aliado do bolsonarismo, está nos Estados Unidos desde o período em que passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal. Em outubro de 2021, Alexandre de Moraes determinou sua prisão preventiva referente às investigações por disseminação de notícias falsas, ataques às instituições democráticas e suspeitas de crimes contra a honra.

Mesmo com a ordem judicial, Allan permaneceu em território norte-americano e continuou sua atuação política nas redes sociais.

O governo brasileiro solicitou sua extradição, mas o procedimento enfrentou obstáculos relacionados às regras do tratado bilateral entre Brasil e Estados Unidos e às diferenças entre as legislações dos dois países.

Entre os crimes apontados nas investigações estão calúnia, injúria e difamação, delitos que não são correspondentes com a legislação norte-americana que possibilitasse a extradição previstas no acordo.

A permanência do blogueiro nos Estados Unidos tornou-se mais um capítulo do histórico de confrontos entre integrantes do bolsonarismo e o Poder Judiciário brasileiro.

Oswaldo Eustáquio: acusado de golpismo, foge para Espanha
Outro personagem que fugiu do Brasil foi o blogueiro Oswaldo Eustáquio, investigado no âmbito de procedimentos conduzidos pelo STF. A acusação se dá pela participação nos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, mobilizações em frente a instalações militares e por incitar através de mensagens divulgadas a adesão aos atos antidemocráticos.

Eustáquio passou a viver na Espanha, mesmo diante de ordens de prisão expedidas pela Justiça brasileira.

As autoridades solicitaram sua extradição, mas a Justiça espanhola rejeitou o pedido, permitindo que ele permanecesse no país europeu.

Assim como Allan dos Santos, Eustáquio faz parte dos bolsonaristas investigados por ataques às instituições e por sua atuação criminosa nas redes sociais.

Vitória da democracia
O bolsonarismo foge do respeito à Constituição, não reconhecendo o resultado das eleições e a democracia. Fogem da pátria para não responder às instituições.

No último domingo, 25, o povo brasileiro reelegeu Lula presidente da República. A decisão das urnas frustrou os planos políticos da família Bolsonaro e de aliados que apostavam numa mudança de governo para obter anistia ou reverter condenações.

O Brasil continua aqui. A democracia também. As fugas do país reforçam a contradição dos bolsonaristas, que passaram os últimos anos tentando se apresentar aos brasileiros como defensores da Pátria, mas não estão dispostos a responder por seus atos em solo brasileiro.

Da Rede PT de Comunicação

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