Última propaganda antes do primeiro turno faz balanço do governo, defende continuidade de mudanças e apresenta propostas para o avanço do país
O último vídeo da propaganda eleitoral de Lula antes do primeiro turno recorre à trajetória pessoal do presidente para construir uma mensagem política sobre persistência e futuro. Ao lembrar a infância marcada pela seca, as derrotas eleitorais, a prisão e a perda de familiares, Lula apresenta sua história como parte de uma ideia que pretende levar também para a disputa deste domingo: brasileiros podem enfrentar adversidades sem desistir de mudar a própria realidade.
“Eu perdi a conta das vezes que perdi. Perdi a infância para a seca. Perdi a chance de estudar. Perdi um dedo na máquina. Perdi um filho antes de nascer”, começa Lula. Na sequência, amplia a lista para derrotas eleitorais, a perda da liberdade e a morte de pessoas próximas. O relato desemboca em uma conclusão: “Mas aí tem uma coisa que essa gente nunca entendeu. Brasileiro não aprende a perder. Aprende a não desistir. Nunca.”
A ideia de persistência passa então da biografia para o país. Lula afirma que está onde está porque, depois de cada derrota, voltou a receber a confiança dos eleitores. “E se eu estou aqui hoje, é porque toda vez que esse povo confiou em mim, nós todos ganhamos. E vamos ganhar de novo”, declara.
A partir daí, o vídeo muda de registro e transforma a eleição em uma escolha sobre a direção do país. Lula reconhece que o eleitor quer melhorar de vida, mas sustenta que a mudança não pode significar retrocesso. “Eu sei o que pesa na sua decisão. Você quer que a vida melhore. Eu também. Só que mudança tem direção. E a minha é para frente”, diz.
BALANÇO – A partir daí, o filme apresenta um balanço das principais políticas e ações do governo. A peça destaca a queda do desemprego (5,3% na última medição do IBGE, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012 para o trimestre encerrado em agosto), o controle da inflação (a menor inflação média de um governo desde a redemocratização, em 1989), o aumento da renda e a retomada da atividade econômica, além de ações para reconstruir o SUS e ampliar a educação. Na frente econômica, apresenta como marcos a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação dos super-ricos, colocando a redução da desigualdade e o aumento do poder de compra entre os principais resultados da gestão.
A agenda social aparece ainda no combate à violência contra mulheres e meninas e no enfrentamento às bets. O programa cita o pacto nacional de combate ao feminicídio e a decisão de fechar as plataformas de apostas como medidas de proteção às famílias. Para o próximo mandato, a campanha acrescenta o imposto zero sobre a cesta básica e o fim da escala 6×1 sem redução de salário, conectando as políticas já implementadas às propostas que pretende levar adiante.
“Estamos construindo um Brasil que cuida do futuro dos jovens e que combate os privilégios e a desigualdade”, afirma. Em seguida, Lula amplia o público de sua proposta econômica e diz que pretende “fortalecer o trabalhador, as empresas, os empreendedores e todas as forças produtivas do Brasil”. Entre as propostas do governo estão o aumento do teto anual do MEI de R$ 80 mil para R$ 140 mil e a possibilidade de contratar um segundo funcionário.
SEGURANÇA PÚBLICA – A Segurança Pública aparece como outro eixo para o próximo período. Lula promete endurecer o enfrentamento ao crime organizado, recuperar territórios dominados por facções e levar o combate à criminalidade “da sua esquina até o andar de cima”. A formulação amplia o foco da segurança para além da violência cotidiana e incorpora o enfrentamento às estruturas criminosas.
SOBERANIA – Ao defender as riquezas brasileiras, Lula afirma que o país deve preservar a capacidade de decidir sobre seus próprios recursos e interesses. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz.
Na reta final, Lula se dirige diretamente às mulheres brasileiras. “Vocês são a força que cuida e move este país”, afirma. O presidente associa a elas uma parte central do seu projeto, um Brasil de oportunidades em que mulheres e meninas possam viver e sonhar.
O encerramento volta ao eleitor e procura retirar o voto da esfera exclusivamente partidária. Lula pede que cada brasileiro e cada brasileira vá à urna “de peito aberto” e afirma que a escolha não deve ser entendida apenas como decisão sobre sua candidatura. “Seu voto não é sobre mim ou sobre um partido político. Votar 13 é votar em você”, diz.
TRAJETÓRIA PESSOAL – A trajetória pessoal de Lula, marcada pelas perdas que abriram o programa, é usada como metáfora para um país que enfrentou dificuldades, voltou a crescer e agora precisa decidir se segue avançando. “Essa é a minha última eleição e o meu último governo será o mais importante de todos”.
Fonte: Site do Lula










