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Luiz Couto (PT-PB) e Reimont (PT-RJ) pedem prisão cautelar e cobram investigação sobre denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Representações protocoladas na Procuradoria-Geral da República citam reportagens sobre supostas negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiamento do filme “Dark Horse”, inspirado em Jair Bolsonaro

Dois deputados federais do PT recorreram à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta quarta-feira (13) para pedir a investigação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após revelações publicadas pela imprensa sobre negociações financeiras envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As iniciativas foram apresentadas separadamente pelos deputados Reimont (PT-RJ) e Luiz Couto (PT-PB), que pedem a apuração de possíveis crimes financeiros e a adoção de medidas cautelares.

As representações têm como base reportagens divulgadas pelo Intercept Brasil, CNN Brasil e Associated Press sobre as tratativas relacionadas ao suposto financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os relatos citados pelos parlamentares, teriam ocorrido movimentações milionárias e suspeitas envolvendo recursos destinados ao projeto audiovisual.

Investigação criminal
Reimont protocolou representação junto à PGR solicitando a abertura imediata de investigação criminal contra Flávio Bolsonaro e pediu medidas cautelares mais severas, entre elas quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático, apreensão de passaporte e prisão cautelar do senador.

O documento encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, menciona áudios, mensagens de WhatsApp, cronogramas financeiros e registros bancários que, segundo o parlamentar, apontariam participação direta do senador em negociações para um aporte de R$ 134 milhões destinado ao longa-metragem.

Na avaliação do deputado, os fatos podem configurar, em tese, crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.

“O Brasil não pode tolerar estruturas de poder político sendo utilizadas para intermediação de interesses privados milionários ligados a agentes investigados em escândalos financeiros de grandes proporções”, argumentou Reimont no documento enviado à PGR.

Compartilhamento de provas
Além da instauração de procedimento investigatório criminal, Reimont pediu compartilhamento de provas já produzidas em apurações relacionadas ao Banco Master, preservação integral dos materiais divulgados pela imprensa e medidas patrimoniais para assegurar eventual investigação.

Segundo o deputado, a gravidade dos fatos exigiria atuação imediata das instituições de controle diante de indícios de continuidade das supostas práticas e de eventual uso do mandato parlamentar em benefício de interesses privados.

Luiz Couto pede apuração técnica e independente
Em iniciativa semelhante, o deputado Luiz Couto protocolou ofício na quarta-feira (13) pedindo à PGR investigação sobre possíveis crimes financeiros, eleitorais, lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de influência e eventual organização criminosa.

No documento, o parlamentar menciona informações divulgadas pela imprensa segundo as quais teriam ocorrido transferências de cerca de US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões — entre fevereiro e maio de 2025 para financiar a produção do filme.

Couto solicitou ainda perícia oficial nos áudios e documentos divulgados, preservação de provas digitais, rastreamento do fluxo financeiro e eventual atuação da Polícia Federal. O deputado também pediu análise sobre a possibilidade de adoção de medidas cautelares, incluindo apreensão de passaporte e restrição de saída do país, caso estejam presentes os requisitos legais.

“A sociedade brasileira exige seriedade, técnica e independência na apuração de denúncias envolvendo autoridades públicas. O que se requer é a apuração rigorosa, isonômica e juridicamente fundamentada dos fatos”, afirmou Couto.

O deputado acrescentou ainda que “ninguém está acima da lei” e que autoridades públicas devem se submeter aos mecanismos democráticos de fiscalização e controle institucional.

As representações agora passam pela análise da Procuradoria-Geral da República, que decidirá sobre a abertura de eventuais procedimentos investigatórios.

Por Héber Carvalho (página PT na Câmara)
Fotos: Kayo Magalhães e Bruno Spada / Câmara dos Deputados

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