O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), subiu o tom contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante entrevista ao programa Frente a Frente na noite desta segunda-feira, 1º de junho. No programa — uma parceria entre o UOL e a Folha de S.Paulo conduzida por Daniela Lima, colunista do UOL, e Fábio Zanini, editor da coluna Painel —, Haddad mirou na atual gestão paulista e nas repercussões internacionais do cenário político para delimitar as fronteiras do debate eleitoral de 2026.
Deixando o Ministério da Fazenda em março deste ano para focar na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, Haddad usou o espaço televisivo para confrontar diretamente as estratégias fiscal, de segurança pública e de alinhamento externo adotadas por Tarcísio, a quem acusou de flertar abertamente com a extrema-direita radical.
Abaixo, os principais pontos abordados na entrevista:
A “sabotagem” na Segurança Pública e alinhamento com Trump
O principal embate da entrevista girou em torno da atuação do governo estadual e da postura internacional de Tarcísio de Freitas. O petista classificou o comportamento do governador como nocivo aos interesses do país, principalmente após o apoio de Tarcísio à decisão do ex-presidente americano Donald Trump de classificar facções brasileiras (como PCC e Comando Vermelho) como grupos terroristas, o que geraria graves sanções financeiras e assimetrias institucionais para a economia do país.
“O que faz o Tarcísio? Não só sabota a PEC da Segurança Pública, transfigura o projeto antifacção por meio do seu secretário [Guilherme] Derrite e, agora, dá apoio ao Trump em um segundo ataque ao Brasil”, disparou Haddad.
Namoro com a extrema-direita :
Ao ser questionado sobre o perfil ideológico do atual governador de São Paulo, Haddad buscou fazer uma distinção conceitual, embora mantenha duras críticas ao posicionamento do rival.
“Eu não chamaria o Tarcísio de fascista hoje, mas, quando ele apoia o tarifaço de Trump, ele namora a extrema-direita”, avaliou.
A missão dada por Lula para disputar São Paulo :
Indagado sobre os motivos que o levaram a aceitar o desafio de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, Haddad revelou os bastidores de suas conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontando que o governo federal enxerga uma postura de confronto desnecessária por parte da atual gestão paulista.
“O principal argumento que o presidente Lula me deu é o seguinte: ‘Olha, não dá para São Paulo ficar remando contra o país, em desfavor do próprio cidadão de São Paulo’.”
Críticas internas silenciosas ao governo estadual :
Haddad minimizou o favoritismo de Tarcísio apontado por pesquisas de opinião e declarou que há um descontentamento expressivo de setores do funcionalismo público e de prefeitos que evitam se manifestar publicamente por receio de isolamento político ou retaliação da máquina do Estado.
“Se você conversa com o policial militar, há crítica. Você conversa com o magistério, com o professorado todo, são críticos a ele. Você conversa com prefeitos, eles são críticos a ele”, sustentou.
Rejeição ao medo de derrotas :
Respondendo sobre o peso político de enfrentar o atual mandatário em uma máquina forte como a de São Paulo, o pré-candidato do PT rechaçou qualquer hesitação em seu histórico político.
“Se isso fosse verdade, eu não teria concorrido em 2016, em 2018, em 2022. Rapaz, se tem uma coisa que eu não tenho é medo”, ironizou o ex-ministro.
A fidelidade à “marca Bolsonaro” :
Próximo ao encerramento, ao analisar o cenário nacional e as forças políticas para as eleições presidenciais de 2026, Haddad fez uma avaliação sobre a resiliência do eleitorado de direita e a força do espólio político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A força eleitoral ligada ao sobrenome Bolsonaro se sustenta em uma fidelidade rara na política e que não encontra paralelo nem no lulismo”, concluiu, ressaltando o engajamento contínuo dessa fatia do eleitorado mesmo diante de diferentes nomes indicados pelo grupo.
Horário e Transmissão
O programa Frente a Frente aborda temas eleitorais de forma analítica com os principais nomes que devem disputar as urnas em 2026. O programa é exibido ao vivo todas as segundas-feiras, às 19h, com transmissão simultânea pelo Canal UOL, YouTube do portal e na home page da Folha de S.Paulo.
Veja a íntegra da entrevista em: https://www.youtube.com/watch?v=MBwqbra9mRY











