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Em sabatina no Roda Viva, Haddad defende cooperação federativa no combate ao crime e diz que irá realizar um ‘pente-fino’ em contratos em SP

Em entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, exibida na noite da última segunda-feira, 31/08, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Governo do Estado de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, detalhou suas principais propostas de gestão e avaliou o cenário político e econômico nacional e paulista.

Mediada pelo jornalista Ernesto Paglia, a sabatina contou com a participação de analistas e colunistas da imprensa nacional e focou em eixos centrais como segurança pública, saúde, educação, finanças do Estado e o regulamento de apostas eletrônicas (bets) no país.

Segurança Pública: Gabinete Antifacção e Pacto Federativo
A segurança pública ocupou centralidade na primeira parte da entrevista. Questionado sobre o crescimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e o domínio do crime organizado em São Paulo, Haddad defendeu uma reforma no modelo institucional de combate às facções.

Gabinete Antifacção : O candidato propôs a criação de um gabinete gerido diretamente pela mesa do governador, reunindo as polícias Civil, Militar e Penal com a Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos Estadual e Federal.

Operação Carbono Oculto como referência : Citou a operação da Receita Federal que desarticulou esquemas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis como modelo de cooperação que deve deixar de ser exceção para virar regra no combate à macrocriminalidade.

Apoio à PEC da Segurança : Haddad criticou governadores de oposição ao Governo Federal que enxergam a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança como perda de autonomia [03:23], argumentando que o crime organizado atua de forma transnacional e exige integração federativa.

Críticas à atual gestão estadual : Apontou sucateamento e desmotivação nas forças policiais paulistas, defendeu a valorização profissional, o reforço do uso de inteligência e o fortalecimento de órgãos de controle interno, como a Corregedoria e a Controladoria-Geral.

“O crime hoje não é mais apenas regional. Um dos erros da atual gestão é pensar com cabeça pequena, como se o crime ficasse restrito ao território paulista, sem compreender as conexões internacionais do PCC.” — Fernando Haddad

Economia, Finanças de SP e Regulamentação das Bets
Durante o debate sobre a situação fiscal do Estado e do país, Haddad contestou os dados apresentados pela atual gestão de São Paulo e rebateu questionamentos sobre a condução da política econômica nacional.

Situação Fiscal de São Paulo : Afirmou que a situação orçamentária paulista vive um dos momentos mais delicados em três décadas, com queda no superávit primário e redução de investimentos. Propôs a revisão de contratos estaduais e auditorias para reabrir espaço orçamentário, descartando aumento de impostos.

Regulamentação das Bets : Haddad posicionou-se pessoalmente favorável à proibição das casas de apostas virtuais no Brasil. Ele atribuiu o crescimento desenfreado do setor ao período de quatro anos sem regulamentação durante o governo anterior e defendeu um debate amplo com a sociedade e o Congresso Nacional sobre o impacto das apostas no endividamento das famílias e na saúde mental.

Juros e Dívida Pública : Questionado sobre a taxa básica de juros (Selic), reafirmou sua visão de que os juros reais no Brasil permanecem descalibrados em patamar elevado, prejudicando a dinâmica da dívida pública, embora tenha destacado que o orçamento federal enviado ao Congresso prevê superávit primário.

Educação e Saúde: Gestão de Filas no SUS e IDEB
No bloco dedicado aos serviços públicos essenciais, o candidato abordou os gargalos no atendimento de saúde e os desafios do sistema estadual de ensino.

Saúde Pública : Como solução para as filas de consultas, exames e cirurgias no SUS, propôs a atualização do sistema de regulação de vagas (Cross), a implementação de linhas de cuidado integral e a criação do “Farmácia Popular Móvel” para entrega de medicamentos em domicílio. Propôs também a criação de um pool de compras para rebaixar os custos de insumos para as Santas Casas de São Paulo.

Educação Básica : Diante da queda do estado no ranking do IDEB no ensino médio, Haddad criticou a alta proporção de professores contratados sem concurso público (categoria O) e o excesso de plataformas digitais em sala de aula. Defendeu a valorização da carreira docente, a expansão do ensino em tempo integral e o fortalecimento do currículo profissionalizante alinhado à formação propedêutica.

Geopolítica, Cenário Político e Sucessão
Concluindo a entrevista, Haddad respondeu a perguntas sobre governabilidade diante de uma Assembleia Legislativa de perfil conservador e sobre o futuro político do campo progressista.

Relação com o Legislativo : Citou sua experiência no Ministério da Fazenda na aprovação de pautas econômicas no Congresso Nacional, defendendo o diálogo técnico e institucional para a aprovação de matérias de interesse do Estado.

Sucessão de Lula : Ao comentar o futuro do Partido dos Trabalhadores, ressaltou que lideranças da envergadura do presidente Lula emergem de contextos históricos específicos, mas destacou que o campo progressista possui novos quadros para renovar o debate político no país.

A entrevista completa com o candidato Fernando Haddad no Roda Viva está disponível na íntegra no canal da TV Cultura no YouTube: https://haddadoficial.com.br/roda-viva-haddad-contas-publicas-de-sp/

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