Em um forte ataque à oposição, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de atuar como o “poderoso chefão” da rede de hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo de Jair Bolsonaro.
A declaração foi feita no dia 23 de maio de 2026 (sábado), na capital fluminense, durante a cerimônia de inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ministros e de autoridades locais.
As Acusações e o Contexto Político
Sem apresentar provas documentais no momento do discurso, Padilha subiu o tom ao descrever a situação da saúde pública no estado do Rio de Janeiro nos anos anteriores. Segundo o ministro, a gestão passada teria “entregue” a administração de importantes unidades de saúde a grupos milicianos.
“Infelizmente, esses grandes hospitais eram comandados. Tinham um verdadeiro poderoso chefão dos hospitais federais do Rio durante o governo anterior”, afirmou Padilha.
O ministro sublinhou que o filho do ex-presidente centralizava o controle das indicações políticas e administrativas nas unidades fluminenses. De acordo com o relato, o senador decidia as chefias de cargos estratégicos, a escolha de diretores e a homologação de contratos com fornecedores, além de acusá-lo de ter permitido o fechamento de leitos de UTI em plena pandemia de Covid-19.
O Contexto das Unidades Federais no Rio
As declarações de Padilha tocam em uma ferida antiga e complexa da saúde pública fluminense. A rede de hospitais federais do Rio de Janeiro — que inclui grandes complexos como o Hospital Geral de Bonsucesso, o Hospital Federal dos Servidores do Estado e o Hospital Federal de Ipanema — é historicamente alvo de disputas por influência política, denúncias de sucateamento e investigações de corrupção envolvendo desvio de insumos e fraudes em contratos de licitação.
A fala do ministro no palanque ao lado de Lula reflete a estratégia do Governo Federal de expor os gargalos estruturais herdados e tensionar diretamente com a base política da família Bolsonaro em seu principal reduto eleitoral, o Rio de Janeiro.











