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Em audiência proposta por Paim, debatedores falam da urgência em promover políticas pela paz

Participantes de audiência pública destacaram que a paz depende de escolhas políticas e de cooperação institucional

A audiência pública realizada nesta segunda-feira (6/4), por iniciativa do senador Paulo Paim (PT-RS), na Comissão de Direitos Humanos (CDH), consolidou o entendimento de que a promoção da paz exige ação concreta do Parlamento, especialmente diante do avanço dos conflitos no mundo.

O debate marcou, de forma informal, uma das primeiras atividades da Frente Parlamentar pela Paz Mundial, instituída em 20 de março por resolução do Senado, com o objetivo de fortalecer a atuação do Congresso na defesa da convivência pacífica entre os povos.

O foco do encontro foi a priorização da paz como estratégia política e institucional, diante dos impactos diretos das guerras sobre a população civil.

Na abertura, o senador Paulo Paim destacou dados recentes sobre conflitos e suas consequências. “No primeiro dia do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, uma escola infantil foi bombardeada, matando 175 pessoas, sendo 150 crianças”, afirmou.

O senador também mencionou a existência de mais de 100 conflitos em curso no mundo, com efeitos concentrados sobre crianças, mulheres e idosos.

Por sua vez, o advogado e ex-senador Ulisses Riedel, idealizador da frente parlamentar, defendeu a mudança de mentalidade como condição para a paz. “Não vamos ganhar essa batalha com armas, nem com guerras, mas com solidariedade e dignidade humana”, disse.

Segundo ele, é necessário substituir a lógica da guerra por valores humanitários.

Situação de refugiados
Pablo Mattos, oficial de relações governamentais do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), chamou a atenção para o deslocamento forçado de pessoas. “Hoje, mais de 120 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas”, afirmou.

Ele destacou ainda que o Brasil acolhe mais de um milhão de refugiados ou pessoas que necessitam de proteção internacional, reforçando o papel do país na resposta humanitária e na promoção de direitos.
O conselheiro do Ministério das Relações Exteriores Leonardo Abrantes de Sousa, chefe da Divisão de Paz e Segurança Internacionais, apresentou dados sobre a escalada armamentista.

“Os gastos militares globais chegaram a mais de US$ 2,7 trilhões em 2024, um aumento de 9,4% em relação ao ano anterior”, informou.

Leonardo afirmou que esses valores superam em pelo menos dez vezes os recursos destinados ao desenvolvimento, o que, segundo ele, compromete políticas sociais e de combate à pobreza.

Conflitos pelo mundo
Luciana Peres, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério dos Direitos Humanos, ressaltou o agravamento dos conflitos no planeta.

“Em 2024, foram cerca de 200 mil mortes em mais de 130 conflitos, com aumento de 315% nas mortes no Oriente Médio e no Norte da África”, destacou.

Para ela, a paz deve ser construída com base na dignidade humana, na justiça social e no diálogo.

A Frente Parlamentar pela Paz Mundial surge, nesse contexto, como instrumento para articular propostas, fortalecer políticas públicas e consolidar o papel do Congresso na promoção de soluções pacíficas para conflitos.

Por Rafael Noronha e com informações da Agência Senado
Foto Agência Senado

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