Neste 23 de abril, o Brasil celebra o Dia Nacional do Choro, gênero considerado a primeira música urbana tipicamente brasileira. A data, que marca o nascimento do mestre Pixinguinha, possui uma história de origem curiosa e afetiva, revelada pelo instrumentista Hamilton de Holanda em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil.
Considerado um dos maiores virtuoses da música brasileira na atualidade e o principal responsável pela modernização do bandolim — ao adicionar duas cordas extras, criando o bandolim de 10 cordas —, Hamilton compartilhou como uma conversa informal se transformou em lei federal.
A ideia que nasceu de uma aula
Durante a entrevista, Hamilton recordou que a ideia surgiu enquanto dava aula para uma aluna chamada Mônica. Ao folhearem uma agenda e notarem a existência de datas comemorativas para diversas profissões e gêneros, como o Dia do Samba, Hamilton questionou: “Tem tanto dia, por que não tem Dia do Choro?”
Decidido a oficializar a celebração, o músico acionou contatos em Brasília, onde morava na época. Através do pai de um amigo, ele chegou ao então senador Artur da Távola. A sugestão do dia 23 de abril veio naturalmente, como forma de honrar o legado de Pixinguinha.
A proposta foi acolhida imediatamente pelo senador, resultando em um projeto de lei que tramitou pelo Congresso Nacional. A iniciativa culminou na sanção da lei pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, no dia 4 de setembro de 2000. Desde então, o 23 de abril é a data máxima do “chorinho” em todo o território nacional.
Hamilton de Holanda: O Embaixador do Choro Moderno
A trajetória de Hamilton de Holanda se confunde com a própria renovação do choro nas últimas décadas. Reconhecido internacionalmente por sua técnica impecável e capacidade de improviso, Hamilton retirou o bandolim de um lugar estritamente regional para colocá-lo em diálogo com o jazz e a música erudita.
Seu trabalho é um pilar da música instrumental contemporânea, mantendo viva a tradição dos “regionais” ao mesmo tempo em que abre espaço para novas experimentações. Para o músico, o Dia Nacional do Choro é mais do que uma efeméride: é um reconhecimento do potencial e da identidade da cultura brasileira.
Neste 23 de abril, o som do bandolim, da flauta e do violão de sete cordas ecoa não apenas como saudade de Pixinguinha, mas como a prova da vitalidade de um gênero que, graças a figuras como Hamilton de Holanda, continua a encantar novas gerações.
Veja trecho da entrevista de Hamilton de Holanda para o programa Sem Censura da TV Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=n0eL3PsWn7s
Foto: Dani Gurgel/Divulgação











