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Deputado João Paulo do PT promove audiência para reconhecimento da Rua da Guia, em Recife, como território sagrado da Jurema

Audiência pública na Assembleia Legislativa reuniu representantes da tradição juremeira, parlamentares e ativistas para discutir o reconhecimento da Rua da Guia como território sagrado da Jurema e patrimônio ancestral de Pernambuco

O reconhecimento da Rua da Guia, no Bairro do Recife, como território sagrado da jurema e patrimônio ancestral de Pernambuco foi objetivo da audiência pública realizada pela Comissão de Educação e Cultura da Alepe, na quarta passada (17).

A história da rua tem relação com a cultura, a boemia e a devoção popular da capital pernambucana. Ficou historicamente conhecida como endereço de entidades espirituais, a exemplo da Mestra Ritinha, figura importante na tradição da Jurema.

A juremeira Mãe Kelly falou sobre a relação com o local. “Eu não passo ali com um olhar turístico, mas com um olhar de fé, de orgulho. É o mesmo lugar onde esteve Mestra Ritinha, com quem eu trabalho e que me faz feliz há tantos anos. Ela esteve lá, viva, é viva até hoje e jamais irá morrer”, ressaltou.

Ancestralidade
O deputado João Paulo do PT, que solicitou a audiência, afirmou que a Rua da Guia representa memória, ancestralidade e patrimônio cultural do povo pernambucano. “É um espaço de encontro, celebração e transmissão de saberes. Essa dimensão cultural, espiritual e humana precisa ser reconhecida, respeitada e protegida”, declarou o parlamentar.

“A Rua da Guia é um território que carrega marcas profundas da presença afroindígena e da resistência dos povos tradicionais que ajudaram a construir a identidade do nosso estado”, completou.

Durante o encontro, foram destacadas iniciativas legislativas de valorização das religiões de matriz africana e de combate à intolerância religiosa. A deputada Rosa Amorim (PT) mencionou a Lei Estadual nº 18.541/2024, originada de projeto da parlamentar, que estabelece o Dia Estadual da Juremeira e do Juremeiro.

“Uma data de reconhecimento daqueles e daquelas que mantêm viva uma das mais importantes expressões espirituais, culturais e identitárias do seu povo. Celebrar o povo juremeiro é reconhecer sua contribuição histórica para Pernambuco e combater séculos de invisibilização do racismo religioso”, apontou. Rosa Amorim informou, ainda, que fez uma indicação ao Governo para que a jurema sagrada seja reconhecida como patrimônio cultural de Pernambuco.

Já Dani Portela (PT) citou o Projeto de Lei nº 3962/2026, que propõe a inclusão do nome do líder quilombola João Batista, o Malunguinho, no Livro do Panteão dos Heróis e das Heroínas de Pernambuco – Fernando Santa Cruz. O texto já foi aprovado pela Comissão de Justiça e segue em tramitação.

Com informações da Ass.Com. da Alepe
Foto: Roberta Guimarães (Divulgação Alepe)

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