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Ato Popular “Renato Fica” Reúne Milhares em Curitiba contra Processo de Cassação de Deputado

Uma grande mobilização popular tomou as ruas da capital paranaense no sábado, 6 de junho. O ato público, que teve como palco a histórica Praça Santos Andrade, reuniu cerca de 2 mil pessoas sob o mote “Renato Fica”. Organizado pelo Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Curitiba, em conjunto com movimentos sociais, ativistas culturais e o movimento negro, o protesto surge como resposta ao avanço do processo de cassação contra o deputado estadual Renato Freitas (PT) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

O parlamentar, eleito em 2022 com mais de 57 mil votos e atualmente cotado como um dos nomes fortes para a disputa à Câmara Federal, enfrenta uma recomendação de perda de mandato aprovada pela maioria do Conselho de Ética da Alep. A oposição e juristas classificam o processo como uma “farsa institucional” e uma demonstração de racismo institucionalizado e perseguição política sistemática.

O pretexto para a representação baseia-se em um episódio de novembro de 2025, no qual vídeos comprovam que o deputado agiu em legítima defesa, sofrendo inclusive uma fratura no nariz, após ele e sua companheira grávida serem alvo da investida violenta de um manobrista no centro da cidade.

Lideranças Nacionais e Estaduais Denunciam Perseguição
O ato transformou a pauta jurídica em uma ampla disputa pública sobre democracia, racismo estrutural e representação política, atraindo parlamentares de peso nacional como Glauber Braga, Fernanda Melchionna e Sâmia Bomfim, além de artistas como os rappers Thaide e Renan Inquérito.

Gleisi Hoffmann Nacionaliza o Debate e Critica a Alep
A deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, conectou a tentativa de cassação de Renato Freitas à história de resistência contra a desigualdade no Brasil. Em um discurso contundente, Gleisi traçou paralelos com as políticas de afirmação racial e inclusão social dos governos Lula desde 2003, como as cotas raciais, apontando que a reação conservadora contra o parlamentar ataca o cerne dessas conquistas.

Ao comparar a trajetória de superação de Renato Freitas com a do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citando a origem humilde e a formação em Direito do deputado, a dirigente disparou:

“É uma agressão política sem precedentes a Assembleia Legislativa tirar o mandato conferido pelo voto popular.”

Arilson Chiorato Defende Nulidade do Processo no Legislativo
O deputado estadual Arilson Chiorato, presidente do PT do Paraná, levou o embate institucional para a praça pública. Chiorato, que junto à deputada Ana Júlia Ribeiro (PT) votou contra a admissibilidade do parecer de cassação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), reafirmou que a bancada oposicionista ingressará com representações formais para anular o rito do Conselho de Ética devido a graves irregularidades processuais.

Para o parlamentar, o rigor desmedido contra Freitas contrasta com a leniência da Casa com parlamentares de direita envolvidos em escândalos graves, o que evidencia a seletividade política do caso.

“O Negro, Pobre, Favelado que Venceu os Coronéis”
Em seu pronunciamento, Renato Freitas utilizou o palco da Praça Santos Andrade para responder diretamente aos setores governistas e da extrema-direita que buscam o seu silenciamento. O deputado argumentou que a velocidade com que o processo tramita é uma prova inequívoca de uma “perseguição política sistemática”, impulsionada pela sua atuação combativa contra a corrupção e a violência institucional.

Freitas também direcionou duras críticas ao ecossistema digital moderno, afirmando que a mentira passou a ser fabricada em “ritmo industrial” por meio de correntes de aplicativos de mensagens e bolhas de algoritmos, resultando em um linchamento moral e no assassinato de sua reputação.

Ao lado de mães de periferia que denunciam a violência do Estado — como Eliane Pereira da Costa —, Renato ressaltou o caráter coletivo do seu mandato:

“O ato reivindica não apenas o mandato, mas também a memória de pessoas mortas por políticas de abandono, de miséria, de embrutecimento e de letalidade policial.”

Próximos Passos na Alep
A manifestação popular não anula os ritos internos da Assembleia Legislativa, mas eleva drasticamente o custo político para os parlamentares paranaenses. Após passar pela CCJ, a recomendação de perda de mandato deverá enfrentar o plenário da Casa.

Para a militância e partidos de esquerda, a votação será o teste definitivo sobre a tolerância institucional à pluralidade e à presença de vozes negras e periféricas de oposição nos espaços de poder.

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