Presidente destaca expansão do comércio com outros países, mantém possibilidade de reciprocidade ao tarifaço e propõe cooperação contra o crime organizado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 15, que são os Estados Unidos que devem estar preocupados com o Brasil neste momento, e não o contrário. Em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, Lula afirmou estar tranquilo sobre a relação entre os dois países e destacou o crescimento do comércio brasileiro com outros parceiros, apesar das barreiras impostas pelo governo de Donald Trump.
“Quem deve estar preocupado conosco nesse momento são os Estados Unidos”, afirmou. Segundo o presidente, o Brasil fornece produtos de que os norte-americanos precisam e mantém espaço para negociar seus interesses.
Lula explicou que, apesar da queda nas relações comerciais com os Estados Unidos, o Brasil ampliou o comércio com países como China, Indonésia, Alemanha e Vietnã. Segundo ele, a expansão também alcançou dezenas de outros mercados visitados durante seu governo. “E outra vez nós batemos recorde de superávit comercial”, acrescentou.
O presidente disse que não adotou medidas de reciprocidade contra o país norte-americano porque prefere dar continuidade às negociações, mas não descartou que o Brasil lance mão desse instrumento. “Eu quero continuar negociando, mas se for necessário fazer, nós vamos fazer e eu acho que eles vão ter problema conosco”, declarou.
Apesar das divergências comerciais, ele voltou a avaliar que sua relação pessoal com Trump foi a mais civilizada que o norte-americano já teve com outro presidente. Lula relatou ter dito ao interlocutor que era importante que dois homens de 80 anos tivessem juízo e se entendessem. “Não era possível a gente ficar passando desavença entre as duas maiores democracias do Ocidente”, afirmou.
Lula lembrou as três reuniões que teve com o presidente dos EUA, incluindo uma conversa por telefone de quase uma hora e meia, e disse que representantes de seu governo negociaram com os norte-americanos nesta semana. “Eu acho que nós vamos chegar num acordo”, comentou.
Cooperação contra o crime organizado
Lula também explicou por que discorda da classificação das facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelo governo Trump. Na avaliação do presidente, a caracterização adotada pelos Estados Unidos não corresponde à atuação desses grupos, cujo objetivo central é obter dinheiro. Para explicar a distinção, citou os ataques às Torres Gêmeas e ações voltadas a dar golpes de Estado.
O presidente ressaltou, porém, a violência que essas organizações impõem à população. “Aqui no Brasil tanto o PCC quanto o Comando Vermelho são terroristas para a comunidade brasileira, para os bairros brasileiros e para as cidades, mas não é o terrorismo de Estado que os Estados Unidos querem que seja”, declarou.
O presidente lembrou ainda que apresentou a Trump uma proposta de cooperação contra o crime organizado e o narcotráfico, baseada na experiência da Polícia Federal brasileira. Segundo Lula, a iniciativa foi entregue por escrito ao governo norte-americano.
Da Rede PT de Comunicação










