Em declaração à imprensa, presidente critica endividamento provocado pelos jogos online, rebate argumentos de clubes de futebol
O avanço das bets no Brasil transformou o celular em uma porta de entrada para o endividamento de milhares de famílias. O que começa com a promessa de dinheiro fácil pode terminar com a perda da poupança, comprometimento da renda e consequências que nenhuma aposta é capaz de reparar. Foi sobre esse impacto na vida dos brasileiros que o presidente Lula falou nesta quinta-feira (8/10), ao reafirmar, durante conversa com jornalistas, sua decisão de proibir as apostas online no país. “Enquanto eu for presidente, nós não vamos permitir que o leite, o pão, o feijão da família seja utilizado para enriquecer e para lavagem de dinheiro nesse país”, declarou.
Lula afirmou que a medida enfrenta interesses econômicos, mas atende a uma preocupação maior que é a proteção das famílias. Pouco antes de conversar com a imprensa, o presidente havia ouvido um relato de uma mãe de Sobradinho, no Distrito Federal, que perdeu o filho após ele acumular dívidas com apostas. Sem identificar a família, compartilhou o episódio como exemplo das consequências que o problema pode alcançar. “Eu sei que tem algumas pessoas incomodadas porque nós acabamos com as bets. E nós temos que dizer em alto e bom som que as bets viraram, nesse país, uma desgraça para o povo pobre”, afirmou.
PROTEÇÃO – A proibição das bets faz parte das medidas adotadas pelo governo Lula para enfrentar os impactos das apostas online sobre o orçamento doméstico, o endividamento e a saúde das famílias. A medida provisória anunciada em setembro determina o encerramento das atividades das plataformas e estabelece procedimentos para que os apostadores recuperem os valores mantidos em suas contas.
Ao defender a decisão, Lula ressaltou que os interesses econômicos do setor não podem se sobrepor à proteção da população, especialmente daqueles que comprometem recursos necessários à alimentação, à moradia e às despesas básicas na expectativa de recuperar perdas ou conseguir dinheiro rápido.
O presidente também rebateu as críticas de clubes de futebol que alegam depender dos patrocínios das casas de apostas. Para Lula, o esporte brasileiro construiu sua história e conquistou títulos muito antes da expansão dessas plataformas. “Os times de futebol não têm nenhuma razão quando falam que o futebol vai morrer. O futebol era muito mais vivo quando não tinha bets. Fomos cinco vezes campeões do mundo sem bets”, prosseguiu.
Lula lembrou ainda que os torcedores já contribuem com seus clubes ao comprar ingressos, camisas e outros produtos. Na avaliação do presidente, não é razoável estimular essas mesmas pessoas a arriscar o dinheiro da família para financiar as equipes. Ele cobrou dos dirigentes alternativas de gestão e financiamento que não dependam das apostas.
ELEIÇÕES – Ao fim da conversa, Lula foi questionado sobre a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira e ressaltou que não pretende orientar sua campanha pelos resultados das pesquisas, mas pelo trabalho necessário para conquistar os votos que faltam até a eleição. “Eu não avalio pesquisa. Não trabalho assim. Eu trabalho sabendo que eu tenho que ter mais votos que o Flávio para ganhar as eleições. Eu tenho 17 dias para isso. E a minha obrigação é trabalhar para ganhar esses votos. E quero convidar você para a posse”, respondeu.
Fonte: Site do LULA










