Candidato insiste em pagamento por hora, com menos dinheiro para quem reduzir a jornada; ele é um dos signatários da chamada “PEC 7×0”, que acaba com direitos conquistados na CLT
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atacar, nesta terça-feira, 6, a proposta que acaba com a escala 6×1 e garante dois dias de descanso por semana, sem redução de salário. Em Brasília, após reunião com aliados, o candidato à Presidência acusou Lula de explorar eleitoralmente a pauta e insistiu em substituir a conquista pelo modelo de pagamento por hora trabalhada, o que resultaria em menos dinheiro na conta do trabalhador ao final do mês.
O ataque não é novidade: Flávio Bolsonaro vem trabalhando para negar aos brasileiros um dia a mais de descanso e barrar a conquista no Senado, ao lado de seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), autor da chamada “PEC 7×0”. O próprio candidato está entre os signatários do texto.
Em setembro, Marinho também apresentou emendas, destaques e pedido de vista durante a análise da proposta que encerra a jornada de seis dias de trabalho para um de folga. As manobras não impediram a aprovação do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas expuseram a resistência do grupo de Flávio Bolsonaro a uma mudança que amplia o tempo dos trabalhadores para descansar e conviver com a família.
Mais trabalho vendido como liberdade
“Quem quer trabalhar mais vai trabalhar mais”, disse Flávio nesta terça.
O que sua proposta não assegura é justamente a conquista apoiada pelo governo Lula: trabalhar menos sem receber menos. O texto em discussão no Senado reduz o limite semanal de 44 para 40 horas, estabelece duas folgas e preserva a remuneração. A alternativa bolsonarista mantém o pagamento vinculado à quantidade de horas trabalhadas.
Flávio fugiu de dar uma resposta clara sobre como votará a proposta.
A acusação de oportunismo ignora que o próprio grupo de Flávio vem criando obstáculos à aprovação. Em 2 de setembro, Marinho apresentou emendas, destaques e pedido de vista na Comissão de Constituição e Justiça. Votou contra o fim da escala 6×1, enquanto Flávio, suplente da comissão, não compareceu. Mesmo com a resistência bolsonarista, o texto foi aprovado e seguiu para o plenário.
A proposta bolsonarista é a PEC 12/2026. O texto permite a opção entre o regime comum da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um regime flexível de contratação por horas. Direitos como férias e décimo terceiro seriam proporcionais à carga horária, um enorme risco aos direitos conquistados pelos trabalhadores.
O ponto central da divergência está no bolso de quem trabalha. A proposta apoiada por Lula reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, assegura dois dias de descanso e preserva o salário. No modelo defendido por Flávio, trabalhar menos horas implica remuneração proporcionalmente menor.
Flávio Bolsonaro sempre contra os trabalhadores
Em 19 de maio, durante a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, o senador já criticava o fim da escala 6×1 e anunciava que a oposição apresentaria uma alternativa baseada no pagamento por hora.
“O trabalhador é quem tem que escolher quanto tempo trabalha e não o governo”, afirmou na ocasião. Na mesma fala, questionou a legislação trabalhista e argumentou que a mudança poderia limitar quem desejasse trabalhar mais.
Em 30 de agosto, Flávio voltou a anunciar que trabalharia pela aprovação do texto de Marinho. A proposta prevê que o acordo entre patrão e empregado prevaleça sobre convenções e acordos coletivos, deslocando para a negociação individual a definição das condições de trabalho.
Dois dias depois, questionado sobre como votaria caso a alternativa de seu coordenador fosse derrotada, evitou assumir compromisso com a garantia de mais descanso: “Primeiro vota a nossa proposta e depois vê o que faz”.
Da Rede PT de Comunicação










