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Lula: ‘Sei que o povo está chateado, as coisas estão caras, mas o país está pronto pra crescer’

Na Bahia, Lula reconhece peso da inflação de alimentos, explica que arrumou a casa e acena com futuro promissor. Ele lembra a “desgraça” da gestão Bolsonaro: “O passado é bússola”

Agora a casa está organizada e o país está pronto para experimentar mais prosperidade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu as atuais dificuldades do custo de vida enfrentadas por muitos brasileiros, mas acenou com possibilidades concretas de avanços e crescimento econômico em um próximo mandato. Diante de uma multidão de150 mil pessoas que se espalhou do circuito de Ondina ao Farol da Barra, em Salvador, Lula explicou, em comício nesta terça-feira, 29, que foi preciso muito trabalho e paciência para consertar a “desgraça” do governo Bolsonaro.

“O país agora está pronto! Nesse meu segundo mandato, é para a gente fazer esse país crescer”, disse. “Mas eu sei que o povo ainda está chateado, porque as coisas estão caras”, admitiu. “No meu primeiro mandato a gente consertou o país e depois a gente colocou este país para andar. Neste mandato agora, foram dois anos e meio para consertar a desgraça que eles [governo Bolsonaro] fizeram.”

Lula explicou, mais uma vez, que herdou uma inflação alta e teve que usar seu mandato atual para arrumar a casa. Ele ponderou, no entanto, que o Brasil vive hoje a menor inflação acumulada em 4 anos, o maior aumento da média salarial e o menor desemprego da história.

A inflação acumulada de alimentos no governo Bolsonaro foi de 56%, enfatizou Lula, e agora está em 13%. O Brasil, inclusive, registrou deflação de alimentos entre junho e agosto, ou seja, queda do preço. “Ainda está alta, mas eu quero que o povo volte a comer a carne, eu quero que o povo volte a ter ganho real de salário”, declarou. Ele também lembrou que durante o governo anterior, 85% das categorias não tiveram aumento de salário acima da inflação, enquanto, no seu governo, 80% tiveram.

“Relação com milicianos e fábrica de chocolates”: isso é Flávio
O presidente também citou os escândalos de corrupção nos quais seu adversário da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está envolvido, e enfatizou que o país não pode ser governado por esse tipo de político. “Este país não pode permitir que alguém seja eleito presidente da República para fazer toda a sujeira que ele fazia: montar quadrilha na Previdência, criar um banqueiro [Daniel Vorcaro, do Banco Master] que fez uma quadrilha e que nós prendemos. Esse cara quer ser presidente da República”, afirmou.

Lula disse que de um lado está um projeto com pessoas experientes, com biografia: ele, que governou o Brasil por três mandatos, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que governou São Paulo em quatro gestões; e do outro lado está um “moleque”, cuja única experiência “é a relação com os milicianos e uma fábrica de chocolates para lavagem de dinheiro”.

“A escolha para presidente da República é muito simples: é escolher entre quem quer que o povo tenha educação ou aqueles que querem ver o povo andar armado até os dentes. É entre aqueles que tiveram a coragem de prender um banqueiro que eles criaram […] ou aqueles que fizeram a quadrilha da Previdência Social. […] É escolher entre aqueles que querem privatizar as praias e aqueles que querem que o pobre tenha acesso a todas as praias deste país.”

Lula também comparou seus governos com o do antecessor, o pai de Flávio. Lembrou que em seu primeiro mandato, foram recolhidas mais de 500 mil armas de fogo, enquanto no de Jair Bolsonaro foram vendidas mais de 1 milhão de armas e 1,1 bilhão de munições. “E o que que eu fiz este ano? Eu distribuí 213 milhões de livros didáticos para o ensino médio”, completou.

“Nós precisamos do passado para não cometer erros no futuro. O passado não pode ser esquecido, o passado é uma espécie de bússola para a gente fazer as coisas certas”, declarou o presidente.

Janja critica mentira da extrema direita sobre fala de Lula
Lula mencionou que uma declaração sua feita em Belém no dia anterior, sobre os exames preventivos de câncer para mulheres e homens, foi retirada de contexto e totalmente detuparda pela extrema direita bolsonarista. O presidente pediu que a primeira-dama, Janja Lula da Silva, falasse sobre o caso.

Janja da Silva pediu que as mulheres e meninas levantassem as mãos e lembrou, mais uma vez, que o resultado do pleito vai depender do eleitorado feminino. A primeira-dama explicou que Lula celebrar a primeira operação robótica de próstata feita pelo SUS na região amazônica e criticou a resistência que muitos homens têm em fazer exames de rotina. Lula, que perdeu a mãe vítima de câncer, também falou que as mulheres têm menos resistência a exames ginecológicos.

Apesar de a fala do presidente ter sido claramente uma comparação entre os hábitos de acompanhamento médico das mulheres, que se submetem a exames clínicos e ginecológicos desde a juventude para evitar complicações médicas, a extrema direita deturpou a frase, aferindo uma conotação sexual pelo fato de Lula ter usado a palavra “toque”.

A interpretação mentirosa começou a se espalhar com uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Janja disse que o bolsonarista precisa “lavar a boca com sabão” antes de mentir sobre Lula. “Não tem videozinho de camiseta preta que vá tirar a confiança das mulheres desse homem que estava falando com emoção da mãe dele, de dona Lindu, que morreu de câncer”, afirmou a primeira-dama.

“Nós, mulheres, seguimos acreditando no senhor. Sabemos quem fez mais políticas públicas para a saúde da mulher”, disse Janja. Ela também lembrou que, com Lula, o país caminha para zerar os casos de câncer de colo de útero.

Da Rede PT de Comunicação

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