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João Paulo Cunha analisa o embate entre “Realidade e Percepção” no cenário político atual

O ex-presidente da Câmara dos Deputados e pré-candidato a deputado federal, João Paulo Cunha (PT), divulgou na última terça-feira (04/08) um vídeo em suas redes sociais em que apresenta uma importante análise da conjuntura política nacional. A reflexão de João Paulo fala de como sentimentos, preconceitos e emoções muitas vezes se sobrepõem aos fatos concretos nas escolhas eleitorais. Nos diversos encontros que tem realizado pelo estado de São Paulo, Cunha é frequentemente instado a fazer uma análise da atual conjuntura política no Brasil e também no exterior, a exemplo da plenária realizada em Osasco no dia 3 de agosto, que reuniu mais de cem lideranças para organizar as ações de mobilização de sua pré-campanha.

Recentemente, no final de julho, na cidade de Hortolância, durante reunião com grupos, entidades comunitárias e especialistas na área de inclusão social, Cunha gravou seu pronunciamento, agora disponibilizado em suas redes sociais.

O eixo central: Realidade versus Percepção
O ponto central do diagnóstico de João Paulo Cunha aborda a disputa entre a realidade dos fatos e a percepção subjetiva construída no imaginário do eleitorado.

Segundo o ex-parlamentar, o processo tradicional de decisão do voto costuma se basear no balanço de realizações passadas e na análise de propostas para o futuro:

“O voto normalmente você decide sobre dois olhares: o olhar do passado e o olhar do futuro. O passado é o que foi feito — você põe na balança e avalia, entre os dois, quem fez mais. Já tem um passo para o voto. Depois, você vê o que vai fazer (…) o programa mais adequado à sua ideia e completa o voto.”

Entretanto, Cunha alerta que a dinâmica política contemporânea rompeu essa lógica estritamente racional, deslocando o campo de batalha para o plano das emoções:
“É fácil fazer isso? Não é fácil. Sabe por que não é fácil? Porque no mundo de hoje — no Brasil, inclusive — a disputa não é pela realidade. Porque se fosse pela realidade, não teria disputa e o Lula estaria hoje com 80%.”

A força dos elementos subjetivos e o combate às fake news
Durante a conversa com os especialistas em inclusão social em Hortolândia, Cunha explicou como impressões pré-moldadas e desinformações se consolidam na mente do eleitor:

“A disputa é entre a realidade e a percepção. A percepção é formada por elementos subjetivos: é a raiva, o ódio, o amor, a fé, o preconceito. Isto é o que forma a percepção.”

Para demonstrar a complexidade de desconstruir convicções baseadas em narrativas falsas, o pré-candidato usou a metáfora de tentar provar a existência de um objeto físico a quem recusa enxergá-lo:

“Às vezes você discutir com um bolsonarista é parecido com isso aqui: você fala a realidade e ela diz que não é, não quer acreditar. Por quê? Porque o que move ela não é aquela realidade posta e apresentada, é a percepção que ela formou antes de conhecer aquilo que a gente está apresentando.”

Ele lembrou boatos frequentemente propagados para gerar medo na população, como as afirmações de que o ex-presidente “fecharia igrejas”, “mudaria a bandeira do país” ou implantaria o “comunismo”:

“O cara já está no terceiro mandato, vai para o quarto, e é comunista ainda? E não fez nada para ajudar o comunismo? (…) Mas tem gente que acredita, porque exatamente forma esse conceito por alguma razão. Por isso é uma disputa que não é fácil, porque exige mexer com a cabeça da pessoa, não é simplesmente mostrar a realidade.”

Mobilização e diálogo contínuo
Para João Paulo Cunha, furar as bolhas de desinformação exige presença constante nas bases e disposição para o debate qualificado:

“A política não se decide apenas pelos fatos. Muitas vezes, ela passa pela forma como cada pessoa enxerga a realidade. É por isso que o diálogo continua sendo tão importante. Mostrar resultados é essencial, mas ouvir, conversar e enfrentar a desinformação também faz parte desse desafio. Sem debate de verdade, a percepção acaba falando mais alto do que a realidade. E quem perde é o Brasil.”

Integrando as demandas de inclusão social debatidas em Hortolândia e as estratégias regionais alinhadas em encontros como o de Osasco, Cunha segue percorrendo os municípios paulistas para articular a militância em favor do projeto nacional do PT e da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo estadual.

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