A gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), registrou uma queda expressiva na aprovação do público feminino. Segundo dados do mais recente levantamento da pesquisa Genial/Quaest, o percentual de mulheres que aprovam o governo paulista recuou de 57% em agosto do ano passado para 47% neste último mês — alcançando o menor patamar registrado entre o eleitorado feminino nos levantamentos realizados desde abril de 2024. Enquanto a avaliação do governo entre as mulheres sofreu uma retração de dez pontos percentuais, o índice de aprovação entre os homens permaneceu estável: 62% declaram aprovar a gestão estadual, em comparação com 63% registrados em agosto do ano passado. O levantamento conta com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Violência contra a mulher e cortes orçamentários explicam descontentamento
Em matéria do portal UOL, especialistas e cientistas políticos apontam uma combinação de segurança pública, orçamento e fatores políticos como as causas principais para a perda de apoio entre as eleitoras.
Aumento dos casos de feminicídio : Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) indicam que o estado registrou 141 casos de feminicídio no primeiro semestre deste ano, em comparação com 128 ocorridos no mesmo período do ano anterior. Embora a secretaria ressalte que os indicadores apontam desaceleração recente nos últimos meses, especialistas apontam falta de uma “política pública de resposta” eficiente perante o problema.
Insegurança cotidiana : Segundo Lilian Sendretti, doutora em ciência política pela USP, a sensação constante de insegurança sentida pelas mulheres — tanto no ambiente doméstico quanto na esfera pública — afeta diretamente a percepção do trabalho do Executivo estadual.
Redução orçamentária : A pesquisadora Bárbara Salviano (UFPR) destaca que a diminuição dos recursos destinados à Secretaria da Mulher intensifica o descontentamento e a avaliação crítica em relação à gestão estadual.
Contexto político e alianças : O professor Hilton Fernandes (FESPSP) lista desdobramentos no cenário político nacional — como a prisão de Jair Bolsonaro e alianças com candidaturas consideradas mais radicais (como Guilherme Derrite, André do Prado e Flávio Bolsonaro) — além de entraves administrativos em setores como saúde e segurança.
Reflexos no cenário eleitoral e intenções de voto
Apesar da redução no índice de aprovação do governo, Tarcísio de Freitas ainda mantém a liderança das intenções de voto entre o eleitorado feminino. O governador figura com 34% da preferência das mulheres, seguido por Fernando Haddad (PT), com 28%. Votos brancos, nulos ou abstenções somam 15%, enquanto 18% do público feminino declararam estar indecisas.
Gargalo de comunicação : De acordo com Lilian Sendretti (USP), a queda na aprovação funciona como um alerta para a equipe de campanha do governador, indicando uma descompasso entre as entregas reais e a estratégia de marketing político. Para os adversários políticos, o cenário serve como “termômetro” para calibrar estratégias e discursos voltados às eleitoras. Análises apontam que a manutenção de números elevados de intenção de voto, a despeito do recuo na aprovação, reflete o cenário de polarização ideológica no estado e a escassez de nomes competitivos no pleito, o que faz com que o eleitor decida seu voto com base no índice de rejeição ao candidato adversário. No cenário geral da pesquisa (primeiro e segundo turnos), Tarcísio lidera as pesquisas de intenção de voto.










