“Isso será só o começo de tudo”, projeta a educadora social e ativista Lessa Reis, idealizadora da proposta acolhida pela presidenta da Câmara, Edna Flor, para integrar a cultura de rua à rede municipal de ensino
O município de Araçatuba está em vias de ingressar em uma das mais inovadoras políticas de educação e cultura do país. A cidade iniciou os trâmites para aderir ao programa Escola Nacional do Hip Hop (H2E), uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) que visa utilizar a cultura de rua como ferramenta pedagógica e de transformação social na Educação Básica.
A articulação em Araçatuba foi idealizada por Lessa Reis, educadora social e ativista da Cultura e do Movimento Hip Hop Brasileiro. Lessa mobilizou o poder legislativo local em busca de apoio e encontrou respaldo na vereadora Edna Flor, presidenta da Câmara Municipal, que prontamente oficializou o pedido junto ao Executivo.
Edna Flor já protocolou os ofícios necessários solicitando a adesão do município junto à Secretaria Municipal de Educação e à Secretaria Municipal de Cultura. No momento, a cidade aguarda o posicionamento oficial e o endosso do prefeito para consolidar a participação no programa federal.
Lessa Reis celebrou a parceria e destacou a sua determinação em ver o projeto implementado na cidade:
“A presidenta da Câmara, Edna Flor, atendeu ao meu pedido de fazer o protocolo para o nosso município aderir ao Programa Escola Nacional do Hip Hop. Com toda a convicção, determinação, foco e fé que eu tenho em tudo o que me proponho a fazer, no que depender do meu trabalho, da minha dedicação e esforço, isso será só o começo de tudo.”
Como funciona a Escola Nacional do Hip Hop (H2E)?
Implementado pela CECADI (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão) do Ministério da Educação, o programa federal desenvolve-se em três etapas consecutivas.
O H2E reconhece a cultura Hip Hop como um instrumento potente de aprendizagem, inovação pedagógica, protagonismo juvenil e equidade educacional. Na prática, a proposta é integrar linguagens como o Rap (MC), DJ, Breaking, Graffiti e o Conhecimento aos currículos escolares de forma transversal, apoiando o ensino de disciplinas tradicionais como Língua Portuguesa, Matemática, História, Ciências e Artes.
A iniciativa bebe diretamente na fonte da Pedagogia Crítica de Paulo Freire, aplicando a sabedoria urbana e as vivências das periferias para transformar a sala de aula em um território de emancipação e pensamento crítico.
Objetivos e os Quatro Eixos da Política Pública
Ao levar o Hip Hop para dentro das escolas, o programa busca atingir metas estruturais para a educação básica do país:
Combate às desigualdades: Enfrentar diretamente o racismo, o preconceito e a exclusão social;
Apoio à legislação: Fortalecer a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena;
Protagonismo juvenil: Aproximar a escola da realidade dos estudantes, estimulando a leitura, a escrita e a autoestima.
Os 4 Eixos de Atuação do H2E
Coordenação Federativa: Articulação direta entre a União, os estados e os municípios para garantir a execução da política de forma integrada.
Formação: Capacitação continuada de professores, gestores escolares, educadores populares e estudantes.
Materiais de Apoio: Produto e distribuição de guias pedagógicos, catálogos, podcasts e conteúdos digitais educativos.
Difusão e Reconhecimento: Fomento a encontros, editais, pesquisas e publicações que valorizem e deem visibilidade à cultura Hip Hop no ambiente escolar.
Segundo Lessa Reis, o canal aberto com a esfera federal proporcionará um suporte técnico e pedagógico fundamental para as escolas de Araçatuba. “Estamos no aguardo do prefeito endossar essa adesão para darmos início a essa transformação na educação da nossa cidade. O Hip Hop é conhecimento, é educação e é cidadania”, concluiu a ativista.










