Com recorde de recursos para a agricultura empresarial e familiar, o governo Lula reforça a segurança alimentar, a sustentabilidade e a capacidade produtiva do Brasil
Em primeiro lugar expresso minha profunda tristeza e me solidarizo com o povo venezuelano pelas perdas humanas e materiais provocadas pelo terremoto de grandes proporções ocorrido naquele país. Os números da tragédia se alteram a cada momento, e no fechamento deste artigo já se contabilizavam mais de 2.300 pessoas vitimadas, com mais de 50 mil pessoas desaparecidas.
Nossos irmãos e irmãs venezuelanos há muito vêm enfrentando situação difícil produzida pela política. Não bastasse, enfrentam agora essa catástrofe.
Louvo e agradeço muito a enorme ajuda humanitária prestada pelo governo brasileiro aos venezuelanos. Confio na capacidade de resiliência daquele povo amigo do Brasil e reitero minha mais irrestrita solidariedade às famílias enlutadas e àquelas que de um momento para outro passaram a passar por verdadeiro colapso psicológico com as perdas de filhos pais, irmãos, avós e outros familiares, além das perdas materiais.
Feita essa triste menção, procedo a alguns comentários sobre os lançamentos pelo governo do presidente Lula, na semana que passou, dos Planos Safra para a Agricultura Empresarial e para a Agricultura Familiar para a temporada 2026/2027.
As medidas para a safra no Brasil passaram a ser de interesse global com a crescente participação do país na oferta agroalimentar mundial.
Afinal, no caso dos grãos nos quais o Brasil tem presença gigante no mundo em produtos como soja e milho, na presente safra (2025/2026) o Brasil deverá ter uma produção final de 359 milhões de toneladas; 30% mais que na última safra Bolsonaro.
Com essa responsabilidade por constituir um dos principais atores no fornecimento de alimentos no mundo via comércio ou participação humanitária, o Brasil apresentou o plano para a safra 2026/2027. Pode-se dizer que os principais eixos dos planos para a agricultura empresarial e para a agricultura familiar serão a prioridade à produção de alimentos; a sustentabilidade; e a transição ecológica.
Realidade cada vez mais presente nos nossos tempos, vale mencionar como variável preocupante, que a próxima temporada agrícola poderá enfrentar os efeitos de um super El Niño com previsão de se estender até o segundo semestre de 2027 segundo projeções da NOAA, que é a agência oceânica e atmosférica nacional dos EUA.
Em que pese os enormes riscos produtivos com a eventual confirmação desse fenômeno e, apesar, ainda, dos desafios fiscais, o governo federal disponibilizará R$ 525.1 bilhões para a agricultura empresarial, valor 109% maior que o prometido no último plano safra de Bolsonaro e 2% superior ao da temporada 2025/26.
Os grandes produtores terão as taxas de juros da linha de custeio reduzidas de 14% ao ano, para 12,5% ao ano; portanto, abaixo dos níveis projetados para a taxa Selic.
Pelo plano correspondente, a agricultura familiar passará a assumir com muito mais vigor o papel de guardiã da segurança alimentar e nutricional da população brasileira. Para tanto o governo disponibilizará R$ 85,2 bilhões em financiamentos para esses agricultores na safra 2026/207, o que significa um crescimento de 9% sobre o valor da safra passada. Na última safra Bolsonaro o Pronaf contou com 40 bilhões, valor coincide com o valor anunciado por Lula exclusivamente para as operações de custeio com recursos do programa. A propósito, os juros pelo programa para a linha de produção de alimentos básicos, caiu para 2% ao ano; e para 1% para sistemas orgânicos e agroecológicos.
Para viabilizar a execução desses volumes gigantescos de recursos o governo disponibilizará R$ 18,1 bilhões para a equalização dos juros, o que significou uma alta de 35% no custo fiscal do governo frente ao ciclo anterior.
Em resumo, o povo brasileiro pode ficar tranquilo com a sua segurança alimentar pois o governo Lula está garantindo esse objetivo estratégico, ao mesmo tempo em que garante condições de progresso para o conjunto dos agricultores a agricultoras do Brasil.
Beto Faro é senador do PT pelo Estado do Pará.
Foto: Alessandro Dantas










