“Um menino me perguntou: ‘Você vai votar para minha mãe ficar comigo no sábado?’. Essa é a dimensão humana da escala 5×2”, observou a Deputada Erika Kokay durante reunião de Comissão
Durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (23), a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) defendeu a aprovação do fim da escala 6×1 e afirmou que a redução da jornada é uma medida de proteção à saúde física e mental dos trabalhadores. A PEC da redução da jornada está parada no Senado. As bancadas do PT na Câmara e no Senado pressionam pela aprovação da matéria.
O tema surgiu durante o debate sobre as condições de trabalho no setor de call center e teleatendimento. Ao comentar os altos índices de adoecimento da categoria, Erika destacou que o tempo é um direito histórico da classe trabalhadora e criticou modelos de gestão baseados em metas abusivas e monitoramento permanente.
“O controle absoluto do tempo é o controle absoluto da vida. Quando se controla o tempo, controla-se a pessoa”, filosofou a parlamentar.
Escala do adoecimento
Segundo Erika Kokay, a pressão por produtividade e a falta de autonomia contribuem para o aumento de casos de burnout, síndrome do pânico, depressão e outros transtornos relacionados ao trabalho. Para ela, garantir jornadas mais humanas é uma medida fundamental para proteger a saúde física e mental dos trabalhadores.
Ao defender a adoção da escala 5×2 sem redução salarial, Erika relatou uma conversa que teve com um estudante pouco antes da votação da proposta na Câmara – “Um menino me perguntou: ‘Você vai votar para minha mãe ficar comigo no sábado?’. Essa é a dimensão humana da escala 5×2”, contou a parlamentar ao destacar sobre os impactos da medida na vida das famílias.
Para a deputada, a atual jornada muitas vezes impede o convívio familiar e afeta especialmente as mulheres, que acumulam trabalho remunerado e tarefas domésticas.
Pressão no Senado
Ao relacionar a discussão com as mobilizações que deram origem ao Dia do Trabalhador e ao Dia Internacional da Mulher, a petista lembrou que ambas tiveram como uma de suas principais bandeiras a luta pela redução da jornada de trabalho.
A proposta aprovada pela Câmara reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso por semana e preserva os salários. O texto, porém, segue sem previsão de votação no Senado Federal.
“Precisamos fazer com que o Senado aprove o fim da escala 6×1”, defendeu Erika.
A parlamentar também criticou a paralisação da proposta no Senado, que permanece fora da pauta.
Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara










