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Contra tragédia de atropelamentos, projeto de Luiz Claudio Marcolino avança na Alesp para criar passagens de animais em rodovias

Proposta do deputado petista visa frear número alarmante de colisões, protegendo condutores e a biodiversidade; dados indicam que mais de 37 mil mamíferos morrem por ano nas estradas de São Paulo e 475 milhões em todo o país

O Projeto de Lei 460/2025, de autoria do deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT), deu mais um passo importante na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A proposição, que determina a instalação de passagens para animais silvestres em rodovias estaduais e interestaduais que passam pelo estado, tem como metas fundamentais proteger a fauna local, preservar a rica biodiversidade do estado e garantir a segurança viária dos motoristas.

A matéria registrou avanços sucessivos em seu rito legislativo: após receber pareceres favoráveis e ser aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) e na Comissão de Transportes e Comunicações, a proposta deu entrada na Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento. Desde abril na comissão financeira, o projeto aguarda agora a definição de um relator. A expectativa de Marcolino é de que o texto receba o aval do colegiado em breve, ficando totalmente apto para ser votado em plenário.

“Esse projeto surgiu de um diálogo com moradores de Cajamar, preocupados com o constante atropelamento de animais e que acabaram causando sérios acidentes na rodovia Anhanguera”, revelou o deputado. Ele acrescenta que a urgência da medida reside no valor imensurável da preservação: “A proposta tem como objetivo proteger a vida. A vida das pessoas e dos animais silvestres e até dos domésticos que acabam atravessando as rodovias de São Paulo. Sua aprovação será um grande passo na proteção da nossa fauna paulista e da biodiversidade”.

Tragédia Invisível: A perda da “nata reprodutiva” e a crise nacional
A necessidade de intervenções estruturais nas estradas ganha respaldo científico em pesquisas alarmantes. Um estudo publicado pelo Jornal da USP detalhou a extensão dessa tragédia ambiental no estado de São Paulo, onde mais de 37 mil mamíferos são atropelados anualmente, de acordo com dados compilados na plataforma Heliyon.

A pesquisa de doutorado desenvolvida por Pedro Enrique Navas no Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens (LAPCOM), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, derrubou o mito de que os animais acidentados estariam previamente debilitados. Ao realizar necropsias de corpos de mamíferos recolhidos em São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, o pesquisador constatou que a imensa maioria dos espécimes estava em perfeitas condições de saúde e em idade reprodutiva.

“O trauma veicular retira das populações naturais a ‘nata’ reprodutiva, essa é a informação mais impactante da pesquisa, que diz respeito à saúde única e à conservação. Para um patologista, é muito triste necropsiar um animal saudável, além de ser uma situação muito impactante para a conservação”, alertou o professor José Luiz Catão-Dias, orientador do trabalho na USP.

Em nível federal, dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) traduzem o problema como uma verdadeira tragédia nacional: cerca de 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados por ano no Brasil, o que equivale ao chocante ritmo de 15 animais mortos por segundo. Espécies nativas e ameaçadas de extinção, como tatus, lobinhos, tamanduás-bandeira e antas são as principais vítimas. No caso das antas — o maior mamífero terrestre do país, pesando até 300 kg —, colisões veiculares tornaram-se a principal ameaça à sobrevivência da espécie, além de provocarem acidentes automobilísticos graves e muitas vezes fatais para motoristas e passageiros humanos.

O drama regional e o impacto das medidas de mitigação
A realidade descrita pelos especialistas reflete-se de forma dramática no cotidiano do interior de São Paulo. Uma reportagem publicada pela Galera Vermelha denunciou o descaso e o cenário alarmante na estrada que interliga as cidades de Sagres e Osvaldo Cruz, na região da Nova Alta Paulista. Relatos apontam para atropelamentos quase diários de capivaras no trecho, evidenciando o risco constante para os usuários da via devido à ausência de barreiras de proteção eficazes ou de passagens de fauna coordenadas pelas concessionárias responsáveis.

O avanço de legislações como o PL 460/2025 de Luiz Claudio Marcolino aponta para soluções viáveis e já testadas. Intervenções técnicas, como a implantação de pontes vegetadas, dutos sob as pistas (passos inferiores) e o cercamento diretivo das rodovias mostram resultados altamente eficientes. Dados destacados por pesquisadores e monitoramentos de vias como a Rodovia Carvalho Pinto, em solo paulista, revelam que a instalação dessas estruturas mitigadoras foi capaz de derrubar as taxas de mortalidade de animais por atropelamento em até 80%.

Com o projeto em andamento na Comissão de Finanças da Alesp, o mandato do parlamentar e entidades de conservação ambiental articulam a aprovação rápida da proposta para que São Paulo lidere as ações práticas de segurança nas pistas, transformando a infraestrutura asfáltica em corredores de mobilidade segura tanto para a população quanto para a fauna silvestre.

Veja a reportagem com a denúncia de descaso da concessionária e do Governo de São Paulo em relação aos atropelamentos de famílias de capivaras na SPA 570/294 que liga as cidades de Sagres e Osvaldo Cruz, na região da Nova Alta Paulista: https://galeravermelha.com.br/tragedia-e-risco-damiao-silva-pt-sagres-sp-denuncia-descaso-de-concessionaria-por-atropelamentos-de-capivaras-em-rodovia/

Por Luiz Henrique Gurgel
Foto deputado Luiz Claudio Marcolino (divulgação Alesp)
Foto viaduto gramado sobre rodovia (divulgação Cetesb)

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