O levantamento da ONU afirma que o país atingiu o histórico índice de 0,8 de IDH; coordenadora do PNUD no Brasil afirma que a educação impulsionada pelo programa Bolsa Família foram os motores dessa evolução
O Brasil alcançou um marco histórico em sua trajetória social. Pela primeira vez, o país ingressou na categoria de nações com desenvolvimento humano “muito alto”, segundo os dados do relatório Radar IDHM, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com a Fundação João Pinheiro e o IBGE.
De acordo com o levantamento, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) brasileiro atingiu o recorde de 0,805, superando os 0,744 registrados no início da série em 2012. Na escala da Organização das Nações Unidas (ONU), qualquer pontuação a partir de 0,800 insere o território no estrato mais elevado de bem-estar e desenvolvimento.
O motor do avanço: Educação e o papel do Bolsa Família
O pilar que mais impulsionou o crescimento histórico do índice nacional foi a educação. Entre 2012 e 2024, o indicador educacional saltou de 0,679 para 0,798, apresentando um crescimento médio anual de 1,35%, ritmo bem acima das dimensões de longevidade e renda.
Durante a apresentação oficial dos dados, a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, Betina Barbosa, apontou o programa Bolsa Família como o principal motor por trás do êxito na escolaridade:
“É o programa Bolsa Família que retira uma quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola. Então, aqui vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira.”
O incentivo e as condicionalidades do programa — que exigem frequência mínima escolar das crianças e adolescentes beneficiários — permitiram progressos consistentes, especialmente nas camadas mais pobres e entre a população negra, ajudando a quebrar os ciclos geracionais de vulnerabilidade.
Desigualdade estrutural ainda persiste
Apesar do forte poder de recuperação e da conquista estatística, o estudo do PNUD faz um alerta importante: a desigualdade social no Brasil permanece gigantesca. Enquanto o componente da educação disparou e a longevidade alcançou 0,860, a dimensão ligada à renda das famílias caminha em ritmo mais lento. Economistas e analistas ressaltam que o país ainda enfrenta entraves profundos para converter o progresso educacional em uma expansão de renda per capita robusta e igualitária. Tudo indica, porém, que as políticas de transferência e proteção social são a chave para reduzir esse abismo e garantir uma vida digna à população.
Repercussão imediata no Governo Lula
A divulgação dos dados gerou comemoração e forte repercussão entre membros do alto escalão do Governo Federal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se destacando que o resultado coroa escolhas políticas assertivas. “Um resultado que não é coincidência, mas reflexo de escolhas políticas consitentes e coordenadas, com impacto direto nos indicadores de educação, longevidade e renda mapeados pelo IDHM”, afirmou em rede social. Lula completou lembrando que “ainda temos um longo caminho pela frente, com desigualdades regionais, de gênero e de raça que precisam ser superadas. O resultado já alcançado mostra que estamos no caminho certo”.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, participou diretamente do evento de lançamento em Brasília e reforçou a mensagem: “Alcançar esse resultado positivo não é um acaso; é resultado de políticas públicas fortes e de um projeto de país inclusivo, com combate a desigualdades. Isso não nos deixa acomodados, e sim conscientes dos desafios”.
Da mesma forma, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, pontuou que a marca se conecta à rede de proteção social, valorização real do salário mínimo e a consolidação do Bolsa Família, que voltou a ser prioridade absoluta na estratégia de combate à fome. No Legislativo, parlamentares e líderes governistas também celebraram a entrada do país no grupo de IDH “muito alto” como um divisor de águas histórico.
Foto estudantes – Agência Gov
Foto Lula – Ricardo Stucker











