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Moisés Selerges lança pré-candidatura a deputado federal na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no dia 30 de maio

Líder sindical que representa mais de 70 mil trabalhadores defende o fim da escala 6×1, a organização de uma bancada proletária no Congresso e a regulamentação do “capitalismo de plataforma”.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) sedia no próximo dia 30 de maio o lançamento oficial da pré-candidatura de seu presidente, Moisés Selerges, a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O evento ocorrerá na sede da entidade, localizada na rua João Basso, 231, no centro de São Bernardo do Campo, berço histórico do moderno sindicalismo brasileiro.

Nascido no próprio ABC, em São Caetano do Sul, Selerges iniciou sua trajetória profissional na linha de montagem da Mercedes-Benz aos 18 anos, local onde despertou para a militância sindical. Hoje, à frente do mesmo sindicato que projetou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na década de 1970, Moisés projeta sua candidatura com a chancela de quem representa diretamente mais de 70 mil trabalhadores e trabalhadoras da região.

As Bandeiras do Pré-Candidato: O Fim da Escala 6×1 e a Produtividade
Em entrevista recente ao portal Congresso em Foco, publicada no último dia 6 de maio, Moisés Selerges detalhou as principais pautas que estruturam seu projeto político. O foco central está na ampliação dos direitos trabalhistas, com protagonismo para o debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho.

Selerges rebate as críticas de setores empresariais que alegam riscos à capacidade produtiva do país, classificando o argumento como um “discurso histórico e superado”:

“Quando foi para ter 30 dias de férias, o Brasil ia quebrar? Quando foi para ter Fundo de Garantia, o Brasil ia quebrar? Todas as vezes que se discute avanços para a classe trabalhadora no país, ‘o Brasil vai quebrar’. Então precisa acabar com isso”, afirmou o líder sindical.

O pré-candidato relembra que a última grande alteração nacional na jornada ocorreu na Constituinte de 1988 — quando a carga horária semanal caiu de 48 para 44 horas — e que o período subsequente registrou ganho de produtividade pelas empresas, provando que a redução não traz danos econômicos.

Escalas Especiais e Diálogo Sindical
Sobre o impacto da redução em setores essenciais que operam sob regimes especiais (como saúde, petróleo e aviação), Selerges esclarece que os novos projetos preservam essas dinâmicas, cabendo a negociação aos representantes das categorias. “Não é papel do governo discutir turnos de trabalho, é papel dos sindicatos. É possível trabalhar sete dias por semana, prestar o serviço na saúde, e os trabalhadores terem dois dias de descanso”, pontuou.

Desafios no Congresso e o “Capitalismo de Plataforma”
A necessidade de migrar das assembleias de fábrica para as cadeias do Legislativo Federal, segundo Selerges, justifica-se pela atual conjuntura do Congresso Nacional. Ele aponta que o Parlamento ainda resiste ao avanço de pautas sociais devido a resquícios históricos estruturais. “No nosso país, teve 350 anos de escravidão. A escravidão está presente em boa parte dos deputados”, avalia.

Para contrapor essa realidade, o metalúrgico propõe a articulação de uma bancada unificada voltada exclusivamente aos anseios da classe trabalhadora, sem que isso signifique oposição ao crescimento das empresas.

“Eu quero que o agronegócio cresça, eu quero que todo mundo cresça, inclusive os trabalhadores. Se nós produzimos a riqueza do país, nós queremos ter acesso à riqueza”, afirmou.

Tratando das novas relações de trabalho, Selerges destacou que a união parlamentar é urgente diante da ascensão do “capitalismo de plataforma” (digitalização e plataformização do trabalho). “Tem professor, jornalista e mecânico dentro do seu celular e sem direitos. Carece discutir o tema. É uma realidade irreversível.”

Cenário Legislativo da Redução de Jornada
O lançamento da pré-candidatura ocorre em um momento crucial de articulação em Brasília. Atualmente, tramitam em conjunto na Câmara dos Deputados a PEC 8/2025 (da deputada Erika Hilton – Psol-SP), que propõe jornada de 36 horas em 4 dias semanais, e a PEC 221/2019 (do deputado Reginaldo Lopes – PT-MG), que sugere uma redução gradual para 36 horas ao longo de dez anos.

Embora o parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), esteja previsto para ser apresentado nesta semana (26 de maio), os bastidores apontam que o consenso entre o governo e o centro caminha para a fixação de uma jornada de 40 horas semanais, mitigando impactos imediatos no mercado. A preferência por uma Emenda Constitucional (PEC) em detrimento de Projeto de Lei visa garantir maior segurança jurídica ao texto final.

É com esse cenário de disputas econômicas e digitais de fundo que Moisés Selerges oficializa sua entrada na corrida eleitoral, buscando levar a voz das linhas de montagem do ABC diretamente para a Câmara dos Deputados.

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