A vereadora de Niterói Benny Briolly (PT-RJ) afirmou ter sido agredida fisicamente na noite de ontem (19), dentro de um shopping center no município da região metropolitana do Rio de Janeiro. O ataque aconteceu no momento em que a parlamentar, que é uma mulher transexual, tentava acessar o banheiro feminino do estabelecimento.
De acordo com relatos publicados por Briolly em suas redes sociais, ela foi “atacada com violência física” e “jogada no chão” pelo agressor. Em um vídeo divulgado no Instagram, a vereadora — que também é pré-candidata a deputada federal — aparece sendo socorrida e levada de maca para uma ambulância. Ela precisou ser hospitalizada às pressas, mas, segundo nota oficial de sua assessoria de imprensa, já foi estabilizada e passa bem.
Ato pacífico e o direito ao uso do banheiro
Antes do episódio, Benny Briolly liderava a Caravana Libera Meu Xixi, uma manifestação voltada à defesa do direito de pessoas trans utilizarem banheiros públicos de acordo com sua identidade de gênero. O ato pacífico contestava projetos de lei que tramitam nas casas legislativas propondo a criação de um “terceiro banheiro” segregado para a população transexual.
A mobilização ocorreu de forma pacífica na calçada em frente ao Plaza Shopping Niterói. As agressões físicas contra a parlamentar começaram logo após o encerramento da atividade externa, quando a vereadora entrou no centro comercial para utilizar as instalações.
Em nota, a equipe da parlamentar repudiou o atentado e classificou o caso como violência política:
“Reiteramos que a violência política não deve ter lugar neste país, e que não será este ou qualquer outro ato covarde que irá interromper a trajetória da primeira travesti eleita do estado do Rio de Janeiro.”
Clima de tensão e ameaças de morte prévias
Horas antes do início do protesto, marcado para as 18h, Briolly já havia gravado um vídeo alertando seus seguidores sobre uma “chuva de ameaças de morte” e postagens violentas na internet que miravam o evento. Preocupada com a integridade física dos manifestantes, ela chegou a pedir formalmente que a militância não comparecesse ao local.
“Infelizmente, recebemos diversas ameaças de morte, ameaças de agressão e até relatos de pessoas dizendo que levariam armas de fogo ao local. Diante disso, tomei uma decisão difícil, mas necessária: peço que ninguém compareça ao ato hoje, por uma questão de segurança coletiva”, declarou a parlamentar em seu perfil no Instagram antes de manter a agenda sozinha.
Posicionamento do estabelecimento
Portais de notícia publicaram uma nota oficial da administração do Plaza Shopping Niterói em que cita a movimentação política no entorno do prédio, mas omite qualquer menção direta à agressão física sofrida pela vereadora em suas dependências internas.
O shopping teria se limitado a declarar que é “um espaço privado de visitação pública e, por isso, manifestações de qualquer natureza não são encorajadas, para preservar o bem-estar de todos”. O comunicado informou ainda que a equipe de segurança privada do local “acompanhou toda a movimentação, que não impactou o funcionamento do empreendimento, prestando todos os auxílios necessários”.











