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João Paulo Cunha é homenageado e destaca papel do Parlamento como “fio condutor do futuro” em sessão solene de 200 anos da Câmara

Em uma sessão solene marcada pela memória institucional e pelo reencontro de grandes figuras da política nacional, a Câmara dos Deputados celebrou, nesta quarta-feira (6 de maio), o seu bicentenário. O evento, realizado no Plenário Ulysses Guimarães, reuniu lideranças atuais e ex-presidentes da Casa para refletir sobre a trajetória do Legislativo desde sua instalação em 1826.

Um dos destaques da cerimônia foi a participação de João Paulo Cunha, que presidiu a Câmara entre 2003 e 2005. Ao receber a placa comemorativa dos 200 anos, Cunha proferiu um discurso focado na resiliência da instituição e na necessidade de o Parlamento reassumir seu protagonismo na mediação dos conflitos sociais e políticos do país.

O Parlamento como síntese da vontade popular
Em sua fala, João Paulo Cunha ressaltou que o bicentenário não é apenas uma efeméride, mas a reafirmação de uma casa que “sempre soube entender, captar as ruas e o sentimento da sociedade brasileira”. Ele caracterizou a história da Câmara como um percurso de “altos e baixos”, mas destacou que, invariavelmente, o Legislativo consegue “apontar para o futuro”.

Cunha defendeu que a política deve ser resolvida em sua própria arena, criticando a crescente judicialização de temas legislativos. Segundo o ex-presidente: “A arena da disputa política não é o Judiciário. A arena da disputa política é o Parlamento, são as ruas, é a organização da sociedade”.

A dinâmica da democracia
O ex-deputado descreveu o processo legislativo como uma “experiência rica”, onde o debate constante transforma propostas originais em soluções para a nação. Cunha explicou que, dentro da Câmara, estabelece-se uma “tese para gerar uma antítese”, e desse embate o Parlamento produz uma “síntese que, invariavelmente, é o que a população precisa”.

Homenagens e presenças
Além de Cunha, a sessão contou com discursos de outros ex-presidentes, como Michel Temer, Rodrigo Maia, Arlindo Chinaglia, Marco Maia, Eduardo Cunha e Valdir Maranhão. O atual presidente da Casa, Hugo Motta, foi elogiado por João Paulo pela “paciência e virtude fundamental para exercer a liderança” em um ambiente de tanta pluralidade.

Representantes dos outros Poderes, como o ministro Edson Fachin (STF) e o ministro José Guimarães (Relações Institucionais), também enfatizaram a harmonia entre as instituições como pilar da democracia brasileira.

A solenidade encerrou-se com um chamado à continuidade da “travessia nacional”, iniciada há dois séculos no Rio de Janeiro, no prédio da Cadeia Velha, e consolidada hoje na capital federal como o “porto seguro da vontade popular”.

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