Atividade integrou o Dia Nacional pelo Emprego Bancário, que antecede a rodada de negociações da Campanha Nacional 2026 com a Fenaban.
Às vésperas da segunda rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), sindicatos e lideranças de todo o país realizaram no começo de julho um Dia Nacional de Mobilização pelo Emprego Bancário. A ação teve como foco denunciar o fechamento em massa de agências bancárias físicas, o encerramento de postos de trabalho e a precarização das condições de atendimento à população.
Em Jundiaí (SP), o ato contou com a participação e atuação direta do ex-dirigente sindical dos bancários e presidente do PT de Cajamar, Raimundo Nonato. Com panfletos em mãos em frente a uma unidade bancária no centro da cidade, Raimundo dialogou com trabalhadores, clientes e pedestres sobre o impacto social e econômico do desmantelamento das agências físicas.
“Estamos nas ruas para alertar a sociedade sobre o desrespeito dos bancos com os trabalhadores e com a população. O fechamento de agências não é fruto de crise financeira, mas de ganância. Os bancos lucram bilhões todos os anos e retribuem demitindo pais e mães de família e precarizando o atendimento”, declarou Raimundo Nonato durante a manifestação.
O líder sindical também enfatizou os prejuízos diretos que o fim das agências presenciais causa aos usuários mais vulneráveis do sistema financeiro.
“O atendimento digital não atende a todos. O encerramento das unidades físicas afeta diretamente os aposentados, pensionistas e pessoas que não têm facilidade com aplicativos ou acesso à internet de qualidade. O banco é um concessionário de serviço público e tem a obrigação social de oferecer um atendimento presencial, humano e de qualidade para toda a população”, pontuou Raimundo.
Queda no número de agências e empregos
Os dados levantados pelo movimento sindical revelam um cenário alarmante no setor. Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, foram fechadas 9,5 mil agências bancárias em todo o Brasil — sendo 941 apenas nos primeiros cinco meses de 2026. Além disso, entre 2015 e 2025, o setor financeiro eliminou quase 88 mil postos de trabalho, sendo 8 mil apenas no último ano desse período.
De acordo com Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, o movimento de demissões e fechamento de unidades ocorre em um momento de lucros recordes do setor financeiro. Em 2025, os cinco maiores bancos do país somaram R$ 124 bilhões em lucros conjuntos.
A dirigente ressalta que o setor caminha na contramão da economia nacional, que vem apresentando queda no desemprego e crescimento com carteira assinada em outras áreas. Para os sindicatos, a reestruturação em curso não reflete dificuldades de mercado, mas sim uma priorização dos serviços digitais e do atendimento voltado à alta renda, deixando desassistida a maior parte da população.
Pauta na mesa de negociação
Na rodada de negociações com a Fenaban agendada para esta terça-feira (7), o Comando Nacional apresentará uma pauta com reivindicações centrais para proteger o emprego e a estrutura de atendimento. Entre os principais pontos estão:
– Fim do fechamento de agências e demissões em massa;
– Garantia de emprego e proibição da rotatividade injustificada;
– Proteção e negociação prévia com os sindicatos em casos de reestruturações por fusões ou inovação tecnológica;
– Fim da terceirização, assegurando o enquadramento como bancário de quem exerce atividades do setor;
– Mais contratações para reduzir a sobrecarga, filas e o estresse na rotina de trabalho;
– Regulamentação e direitos iguais para bancários que atuam em agências e escritórios digitais;
– Inclusão e qualificação, incentivo à participação feminina na área de TI e processos seletivos sem preconceito.










