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Vereadora Fernanda Henrique (PT) é ameaçada com picareta por Secretário de Meio Ambiente durante protesto contra corte de árvores em Ribeirão Pires (SP)

Uma cena surpreendente e de truculência marcou a tarde desta terça-feira, 07 de abril, no centro de Ribeirão Pires, no ABC Paulista. A vereadora Fernanda Henrique (PT) foi alvo de uma tentativa de agressão desferida pelo Secretário Municipal de Clima, Meio Ambiente e Habitação, Temístocles Cristófaro, enquanto tentava impedir o corte de árvores e a descaracterização do calçadão da Rua do Comércio.

O conflito ocorreu no momento em que a parlamentar tentava fazer valer uma decisão liminar da 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, que determinava a suspensão imediata das obras. A prefeitura planeja transformar o tradicional calçadão em uma via para veículos, o que exige a derrubada de árvores de grande porte e a retirada de comerciantes locais.

Ataque com picareta e desrespeito à Justiça
De acordo com relatos e registros, o secretário Cristófaro não reconheceu a ordem judicial apresentada. Em um ato de hostilidade, o secretário empunhou uma picareta e partiu para cima da parlamentar, tentando atingir o tronco de uma árvore que Fernanda Henrique protegia com o próprio corpo.

“O senhor vai me machucar”, alertou a vereadora por duas vezes. A agressão física só não se consumou porque pessoas que acompanhavam a discussão intervieram e contiveram o secretário.

Manifestação e Denúncia de Arbitrariedade
Em suas redes sociais, Fernanda Henrique denunciou a falta de diálogo da gestão Guto Volpi (PL) e a rapidez com que a prefeitura tem agido para descaracterizar o centro.

“Prefeito ignora as manifestações da população! Está acontecendo agora: a retirada das árvores do calçadão, determinada de forma arbitrária. Semana passada foi a Banca Estrela; hoje, as árvores. E amanhã?”, questionou a parlamentar.

A vereadora enfatizou que a intervenção segue sem transparência, mesmo com uma ação popular em andamento: “Até onde vai uma gestão que decide sem ouvir, sem dialogar e sem respeitar quem vive a cidade todos os dias? Não estamos falando apenas de uma obra, mas de uma decisão que impacta o meio ambiente e a história da cidade”.

A disputa judicial pelo patrimônio
A liminar concedida pela juíza Sílvia Meirelles destaca o risco de dano ao patrimônio público e ambiental. A magistrada apontou que o periculum in mora era evidente, dada a desinstalação de pontos históricos como a banca de jornal do calçadão.

A vereadora sustenta que a obra, orçada em R$ 2 milhões, traz problemas como a insegurança, pois cria uma rota de fuga para criminosos em área bancária. Também apontou o impacto ambiental, já que remove árvores essenciais para equilíbrar temperatura e dar mais qualidade ao ar na região central, e o prejuízo social por acabar com um polo de convivência e inclusão social.

Silêncio sobre punição
Em nota, a Prefeitura de Ribeirão Pires alegou não ter sido notificada formalmente da liminar e acusou a vereadora de interferir em “ordem legítima”. Sobre a atitude violenta do Secretário de Meio Ambiente, que usou uma ferramenta de trabalho para intimidar a parlamentar, a administração não informou se haverá punição ou exoneração, limitando-se a dizer que preza pelo “respeito institucional”.

Fernanda Henrique confirmou que registrará um boletim de ocorrência e tomará todas as medidas legais cabíveis contra a agressão sofrida.

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