Já se passou mais de uma semana desde que as ruas do centro de Catanduva foram tomadas por um coro de resistência, mas o impacto da 1ª Marcha pelo Fim da Violência contra a Mulher continua sendo o principal assunto em muitas rodas de conversa e em pautas sociais da cidade. O evento, realizado no último dia 28 de março, parece ter marcado um “divisor de águas” na mobilização local contra o feminicídio e o abuso doméstico.
A caminhada, que teve sua concentração na Praça da Matriz e desceu a emblemática Rua Brasil até a sede da Prefeitura Municipal, não foi apenas um ato passageiro. O silêncio que tomou conta da Praça Conde Francisco Matarazzo durante a homenagem a Priscilla dos Santos Spagnol ainda é lembrado como um dos momentos mais emocionantes e simbólicos do evento.
Liderança e Articulação
A vereadora Taíse Braz foi uma das principais articuladoras da marcha, ela conseguiu unir setores diversos da sociedade civil e do poder público em torno de uma causa urgente. Para a parlamentar, o evento não foi um fim, mas um começo.
“Foi um momento histórico, um símbolo de luta e de resistência de mulheres de vários setores. Esperamos que ações permanentes sejam construídas e fortalecidas para que não tenhamos mais que lidar com o impacto que atinge famílias inteiras”, afirmou a vereadora, reforçando que o enfrentamento à violência deve ser um compromisso diário de toda a sociedade.
Uma rede de apoio sem precedentes
O sucesso e a continuidade da repercussão da marcha devem-se, em grande parte, à vasta rede de entidades que abraçaram a causa. A união de forças demonstrou que a proteção à mulher em Catanduva tornou-se uma pauta institucional e comunitária.
Dentre as instituições e os grupos que contribuíram para a promoção e realização do ato, destacaram-se a Câmara Municipal de Catanduva, Conselho Municipal da Mulher, OAB de Catanduva (com a participação ativa da Comissão das Mulheres e da Comissão de Direitos Humanos), além de movimentos sociais e Coletivos como o Movimento Negro de Catanduva, o Coletivo do Axé, o Coletivo Cultura Nordestina e o Projeto Raízes.
Na área de Educação e Cultura, estiveram presentes a APEOESP, o Estúdio de Dança Way e o Produções Culturais e Formativas Yai.
A Polícia Militar quanto a Guarda Municipal de Catanduva garantiram a segurança, além da logística para que a marcha pudesse ser realizada em ruas normalmente com forte tráfego.
Também houve um importante apoio da imprensa local, crucial para divulgar e agregar mais pessoas, com o apoio da CR News, Nova TV, Jornal Realidade e Rádio Club FM.
O Legado da Marcha
Hoje, dez dias após a leitura da “Carta da Marcha”, o debate sobre políticas públicas de acolhimento ganhou fôlego renovado. Nos bastidores da política local e dentro das entidades participantes, discute-se como transformar o simbolismo daquele sábado em ações práticas e permanentes.
O sentimento nas ruas é de que Catanduva deu um passo corajoso para lidar com o tema. Taíse Braz saiu confiante do evento e afirmou esperar que a partir dessa primeira ação, “outras marchas aconteçam com mais apoio, com mais participação, principalmente dos homens, e que ações permanentes sejam construídas e também fortalecidas aqui na nossa cidade para que a gente não tenha mais que lidar com o impacto que atinge não só mulheres, mas as suas famílias e toda uma sociedade. e o apoio das diversas frentes citadas, a mensagem ficou clara: a cidade não aceitará mais o silêncio diante da violência.”











