Dados e levantamentos de checagem apontam que o governador Tarcísio de Freitas esconde a redução de verbas destinadas à Secretaria de Políticas para a Mulher do Estado de São Paulo. Durante sabatina promovida pela rádio CBN em conjunto com os jornais Valor Econômico e O Globo, o chefe do Executivo paulista utilizou comparações orçamentárias seletivas para mascarar a queda nos recursos da pasta.
Os fatos mostram que a proposta apresentada pelo governo estadual para 2026 previu R$ 16,5 milhões para a secretaria. No entanto, o orçamento final consolidado para o ano de 2025 havia alcançado cerca de R$ 38 milhões após modificações na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) — o que representa um corte superior a 54%. Para alegar um suposto aumento, a gestão estadual comparou a previsão de 2026 com a proposta original enviada em 2025 (de R$ 10 milhões), ignorando o montante real que foi efetivamente aprovado e executado.
Além da manobra orçamentária, os dados revelam baixa eficiência na aplicação das verbas: nos dois primeiros anos de funcionamento integral da pasta, o governo empenhou apenas 53% do valor previsto.
A ocultação dos cortes ocorre em um momento crítico para a segurança da população feminina no estado. Segundo estatísticas da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o primeiro semestre de 2026 registrou 141 casos de feminicídio (com 142 vítimas), o maior número da série histórica iniciada em 2018 e uma alta de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.










