O vice-líder do Governo na Câmara, Rogério Correia (PT-MG), comemorou hoje (3) a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de tornar indisponível a ilha que o advogado Willer Tomaz — amigo e sócio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — disputa com o jogador de futebol Richarlison, em Angra dos Reis (RJ). “Isso significa que Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro já não podem vender, doar ou dar a ilha em garantia”, afirmou o parlamentar.
Rogério Correia anunciou que nesta quarta-feira (4) vai protocolar uma ação no STF para que mais cinco ilhas em Angra dos Reis retornem ao patrimônio da União, todas igualmente entregues a Willer Tomaz. Segundo ele, é urgente a anulação da posse dessas ilhas.
“Já vi de tudo no Brasil: ladrão de todo tipo, mas ladrão de ilha, de mansão, que foge do país dizendo que está sendo perseguido, é algo impressionante”, disse o parlamentar.
Canetada de coronel
No mês passado, Rogério Correia e o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), entraram no STF com uma ação em que pediram a Alexandre de Moraes a suspensão imediata da transferência dos direitos de ocupação de um imóvel da União na Ilha Comprida à WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa dirigida por Willer Tomaz.
Os dois deputados do PT solicitaram a suspensão de ato do coronel do Exército Paulo da Silva Medeiros, nomeado durante o governo Jair Bolsonaro como superintendente da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) no Rio — sob indicação de Flávio Bolsonaro, conforme noticiário da imprensa.
“Esse coronel Medeiros, simplesmente com uma canetada, repassou a ilha para Willer Tomaz a pedido de Flávio Bolsonaro, que gostou muito da propriedade e queria comprá-la de Richarlison, mas ele não quis vender. Eles foram lá e, nas palavras de Richarlison, tomaram a ilha ‘na mão grande’”, comentou Rogério Correia.
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Irregularidades
A petição, conforme lembrou o deputado, apontou possíveis irregularidades no processo conduzido pela SPU. Segundo ele, o pedido foi apresentado em nome da antiga ocupante dez dias após a contratação da venda e incluiu uma declaração de ocupação familiar que, de acordo com os documentos apresentados, não correspondia à realidade.
O procedimento foi concluído em pouco mais de dois meses, sem parecer ou decisão devidamente fundamentada. Já um requerimento anterior, apresentado pela empresa que ocupava o local, permaneceu sem solução por anos. A transferência à WT foi concluída em 2022, no governo Jair Bolsonaro.
O deputado mineiro assinalou que a petição pediu a apuração dos fatos no contexto do inquérito sob relatoria de Moraes que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro a partir de apostas online e evasão de divisas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Willer, só no ano passado, apostou R$ 5 bilhões em uma única bet, conforme noticiário da imprensa. Ele é apontado como dono da intermediária de pagamentos que tem o monopólio no estado do Rio de Janeiro e lançou três casas de apostas.
Sócios e foragidos do Brasil
Flávio Bolsonaro, mencionado no noticiário como usuário master da conta bancária de uma das empresas de Willer e com despesas pagas pelo advogado, também é investigado no mesmo inquérito — foi no âmbito dessa investigação que Moraes decidiu que o senador entregasse seus passaportes, o que gerou a fuga dele do Brasil na semana passada.
A petição de Rogério Correia e Uczai solicitou esclarecimentos sobre a origem dos recursos, a participação da empresa na operação, uma eventual influência política junto à SPU e a atuação dos servidores responsáveis pelo processo. Correia defendeu que a mansão comprada por Richarlison seja devolvida a ele, “seu legítimo proprietário, diante da grande manobra que teria sido feita para tomar a ilha”.
O parlamentar mineiro observou que Willer Tomaz está envolvido, junto com Flávio Bolsonaro, em um processo que investiga lavagem de dinheiro da ordem de R$ 6 bilhões. “Depois que o Presidente Lula acabou com as bets, Willer Tomaz, que também atuava nesse setor, teria participado de operações de lavagem de dinheiro. Ele próprio pegava dinheiro sujo e o lavava por meio de apostas. E é tão cara de pau que disse ter tido um prejuízo de R$ 200 milhões, porque teria lavado R$ 6 bilhões e recebido apenas R$ 5,8 bilhões”, disse. Ele lembrou que Willer e Flávio Bolsonaro estão foragidos nos Estados Unidos.
Leia a integra da representação encaminhada ao STF por Rogério Correia e Pedro Uczai
Redação PTnaCâmara










