Morreu nesta segunda-feira (27), aos 43 anos, a vereadora carioca Luciana Novaes (PT). Parlamentar em seu terceiro mandato na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Luciana teve a morte confirmada após o acionamento do protocolo de morte cerebral. Ela estava internada desde o fim de 2025 devido a um quadro grave de pielonefrite e infiltração pulmonar.
Uma vida marcada pela superação
A história de Luciana Novaes tornou-se um símbolo de resiliência após uma tragédia em maio de 2003. Aos 20 anos, enquanto cursava Enfermagem na Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, ela foi atingida por uma bala perdida dentro do campus durante um confronto.
O disparo a deixou tetraplégica e dependente de ventilação mecânica. Luciana passou um ano e nove meses na UTI e enfrentou sete cirurgias, chegando a ter apenas 1% de chance de sobrevivência. Apesar das limitações físicas, ela reaprendeu a viver, recuperou a fala e formou-se em Serviço Social.
A trajetória política e o legado na Câmara
A política surgiu como uma forma de transformação ainda no hospital, onde Luciana começou a coletar assinaturas para mudanças no Código Penal.
No início de sua vida pública, trabalhou na subsecretaria municipal de Direitos Humanos antes de ser eleita pela primeira vez em 2016. Sua atuação parlamentar foi marcada por ter sido a campeã de leis aprovadas em seu primeiro mandato e com mais de 150 fiscalizações realizadas em espaços públicos para garantir acessibilidade.
Em seu trabalho de defesa de minorias, presidiu a Comissão da Pessoa com Deficiência (PCD) e lutou por pautas como o direito dos idosos e a inclusão de pessoas em situação de rua.
Sua atuação também ficou marcada pela resistência e em 2020, mesmo sendo do grupo de risco durante a pandemia, saiu em campanha foi reeleita com 16 mil votos. Após um período como suplente, retornou ao seu terceiro mandato em 2023.
Despedida e homenagens
A Câmara Municipal do Rio lamentou profundamente a perda da parlamentar, destacando sua atuação incansável pela inclusão e justiça social. Luciana contava com o apoio constante de sua irmã, Jorgiane Novaes, a quem chamava carinhosamente de seus “braços e pernas”.
A causa definitiva da morte não foi detalhada pela família até o fechamento desta notícia, mas o estado de saúde de Luciana vinha se agravando desde uma fratura no ombro em outubro de 2025, seguida por uma pneumonia. Sua partida deixa um vazio na política carioca e um legado de que a deficiência não é um limite para a voz e para a mudança social.











