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Marina Silva e Simone Tebet lideram debate sobre representatividade feminina e política no Summit Mulheres nas Profissões

Em painel concorrido promovido pelo Summit Mulheres nas Profissões, as ex-ministras e pré-candidatas ao Senado por São Paulo, Marina Silva e Simone Tebet, reuniram-se nesta terça-feira para debater a sub-representação feminina na política, a equidade no mercado de trabalho e as ameaças representadas pelo avanço da extrema direita.

Durante a atividade intitulada “Mulheres que governam: o que muda quando a liderança tem perspectiva feminina”, as lideranças abordaram os desafios estruturais e históricos para que mais mulheres ocupem espaços de tomada de decisão nas esferas pública e privada.

‘Voz sem vez’ e cobrança por igualdade salarial
Ao relatar episódios de machismo que marcaram sua trajetória, Simone Tebet destacou que pertence a uma geração de transição. “Tenho 56 anos. Nós tínhamos voz, mas não tínhamos vez. Essa é a grande diferença”, afirmou. Para ela, quem chega ao topo tem o dever de abrir caminhos: “Nessa caminhada não estamos sozinhas. O que fazemos influencia a vida de outras mulheres. Não adianta alcançar o ápice, se outras mulheres não vierem”.

Tebet ressaltou a urgência de ampliar a bancada feminina nos parlamentos até atingir a paridade de 50% e mencionou ter levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pauta da equiparação salarial entre homens e mulheres. Segundo a ex-ministra, é preciso convencer “homens de bem e sensíveis” de que a pauta feminina não busca privilégios, mas igualdade.

Em sua fala, Tebet fez duras críticas ao “conservadorismo reacionário”, alertando para o impacto de discursos extremistas nas redes sociais que tentam desqualificar o voto feminino ou resgatar o conceito de “voto familiar”. “O conservadorismo não é uma coisa ruim”, ponderou, “mas a extrema direita atua para promover uma lavagem cerebral e corroer os direitos das mulheres e a própria democracia”.

Barreiras estruturais e recado nas redes
Ao iniciar sua exposição, Marina Silva apontou que as dificuldades sociais não afetam todas as mulheres da mesma maneira. “Se você é mulher e de origem humilde, preta ou pertence a determinados segmentos, as dificuldades são maiores”, frisou. Marina lembrou que as travas começam muito antes da chegada ao topo — no acesso ao crédito, ao empreendedorismo e no financiamento de campanhas —, fazendo com que muitas abandonem a vida pública após o primeiro mandato em razão do ambiente hostil.

“As estruturas não foram feitas para nós”, criticou Marina, exemplificando situações cotidianas de preconceito: “Você vai para uma reunião, fazem uma pergunta para você olhando para o seu assessor porque ele é homem e é branco”. Ela também citou estudos que comprovam o melhor desempenho de empresas e administrações públicas que contam com gestão feminina.

Após o evento, Marina Silva reforçou a mensagem central do encontro em suas redes sociais:

“Quando uma mulher avança, abre caminho para muitas outras. Participamos do painel Mulheres que Governam conversando sobre liderança, participação política e os desafios que as mulheres ainda enfrentam para chegar aos espaços de decisão. Sempre digo que ultrapassei muitos dos desafios da minha vida passando por frestas. Mas não quero que a exceção vire regra. O que precisamos é ampliar as oportunidades para que todas as mulheres possam desenvolver suas potencialidades e realizar seus sonhos.”

O painel contou com a mediação de Lígia Sica e participações da atriz Denise Fraga, da empresária Luiza Helena Trajano, de Adulcina Carina Simone dos Santos Costa e de representantes do Grupo Mulheres do Brasil.

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