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Para Lula, a urna é uma fronteira que nenhum país deve atravessar

Em Nova York, Lula diz que brasileiros terão nas urnas uma escolha sobre democracia, meio ambiente, inclusão social e cultura e defende votação sem interferência externa

Há 202 anos, Brasil e Estados Unidos mantêm relações diplomáticas. Nesse tempo, construíram acordos, abriram mercados, atravessaram mudanças de governos e viram a própria ordem mundial se transformar. Mas há uma decisão que, para Lula, não se divide com nenhum outro país. A 13 dias das eleições, o presidente afirmou, nesta segunda-feira (21/09), em Nova York que a escolha sobre os próximos passos do Brasil pertence somente aos brasileiros e que existe uma fronteira que nenhuma relação internacional deve atravessar, a urna.

Em entrevista a Christiane Amanpour, âncora-chefe internacional da CNN, durante sua passagem pela cidade para a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula falou sobre uma eleição que, na sua avaliação, vai além da disputa entre nomes e partidos. Para ele, os brasileiros terão diante de si escolhas sobre democracia, preservação ambiental, inclusão social e cultura.

“O que está em jogo no Brasil hoje não é mais coisa de pessoas entre pessoas, partidos entre partidos. O que está em jogo hoje é uma escolha que o povo brasileiro vai ter que fazer. ou a democracia ou a barbárie. Ou uma política de preservação ambiental ou desmatamento. Ou uma política de inclusão social ou o abandono das pessoas pobres. Ou o fortalecimento da cultura ou o fim da cultura. É isso que está em jogo.”

Lula afirmou estar tranquilo em relação ao processo eleitoral e defendeu a segurança do sistema brasileiro de votação. Também manifestou confiança em sua candidatura e relacionou sua expectativa de vitória às políticas de inclusão social, educação e saúde implementadas por seus governos.

ESCOLHA– Se cabe aos brasileiros decidir entre os caminhos apresentados por Lula, cabe também ao país garantir que essa escolha seja feita sem interferência externa. Foi nesse ponto que a entrevista chegou à atuação dos Estados Unidos e à preocupação do presidente com possíveis tentativas de influência sobre o processo eleitoral. Lula contou que já tratou diretamente do assunto com Donald Trump e disse ter pedido ao presidente norte-americano que respeite a decisão das urnas brasileiras.

Segundo ele, Trump tem sinalizado a interlocutores que não pretende se envolver na eleição. “É muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil, como eu não me meto nas eleições de vocês”, afirmou. Para Lula, a regra deve ser simples e valer para os dois lados. “As eleições brasileiras são do interesse do povo brasileiro, as dos americanos são do interesse do povo americano. Portanto, é o povo que vota, é o povo que acerta, é o povo que erra. Mas é da responsabilidade do povo.”

Nesta semana, Agência Brasileira de Inteligência alertou o governo e o Tribunal Superior Eleitoral sobre o risco de influência externa no processo eleitoral. Segundo informações divulgadas pela CNN, relatório da Abin enviado no fim de agosto apontou aumento do nível de criticidade desse risco.

LIMITE – Na entrevista, Lula também criticou brasileiros que, segundo ele, atuam nos Estados Unidos contra interesses do país. A crítica apareceu dentro de uma discussão mais ampla sobre soberania. Para Lula, nenhum governo tem o direito de determinar os rumos de outro país apenas por dispor de maior poder econômico, militar ou tecnológico. “O presidente brasileiro não tem o direito de governar para os outros países. Ele não tem o direito de impor a sua vontade, ou seja, ele tem que ter a disposição de negociar. É isso que nos interessa. Nós não queremos intromissão, nós queremos parceria.”

Foi essa mesma ideia que Lula levou para a relação com os Estados Unidos. O presidente defendeu que os dois países preservem os vínculos construídos ao longo de mais de dois séculos, mas em uma relação em que parceria não seja confundida com submissão. “Nós queremos fazer parceria com as empresas americanas, com as empresas chinesas, com as empresas francesas, com as empresas alemãs. O que nós não queremos é imposição nas nossas coisas.”

RESPEITO – A defesa de autonomia também apareceu quando Amanpour levou a conversa para as relações econômicas. Lula criticou o unilateralismo e afirmou que prefere negociação a uma guerra comercial. Enquanto houver diálogo com Washington sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros, disse, o Brasil não pretende acionar a Lei da Reciprocidade. A possibilidade continua sobre a mesa caso as negociações não avancem. “Eu não pretendo entrar em guerra tarifária, nem com os Estados Unidos, nem com ninguém. Eu quero negociar, eu sou de negociação. Nasci na minha vida sindical aprendendo a negociar.”

Ao falar da relação com os Estados Unidos, Lula defendeu que o diálogo seja baseado em respeito mútuo. “Eu gosto de respeito e eu gosto de ser respeitado. É assim que eu quero a minha relação com os Estados Unidos.”

A 13 dias das eleições, Lula levou para a urna a mesma defesa de soberania que apresentou ao falar do lugar do Brasil no mundo. Entre acordos, interesses e relações que atravessam fronteiras, o futuro do país, afirmou, continua nas mãos de quem vive aqui. E será o voto dos brasileiros que vai decidir qual caminho seguir.

Fonte: SITE DO LULA

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