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Nabil Bonduki visita Paranapiacaba, em Santo André, no lançamento de livro do Iphan sobre restauração da vila

O arquiteto, urbanista, professor da FAU/USP e vereador da cidade de São Paulo, Nabil Bonduki, realizou uma visita à histórica Vila de Paranapiacaba, em Santo André. A agenda foi motivada pelo lançamento de um livro promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que documenta e detalha o processo de restauração das construções históricas do final do século XIX da vila, caracterizadas por sua arquitetura em madeira (originalmente pinho-de-riga). O evento aconteceu em junho e foi publicado na semana passada por Nabil.

Durante a visita, gravada e divulgada em suas redes sociais, Bonduki percorreu importantes marcos arquitetônicos e culturais do vilarejo e esteve ao lado de autoridades da preservação patrimonial, como o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, o superintendente do órgão no Estado de São Paulo, Danilo de Barros, o diretor do Departamento de Ações Estratégicas e Intersetoriais do Iphan, Daniel Sombra, além do subprefeito de Paranapiacaba, Fábio Picarelli.

Patrimônio, história e desenvolvimento
Em suas declarações, o urbanista destacou o papel singular de Paranapiacaba para o desenvolvimento paulista e nacional. Construída pelos ingleses no século XIX para abrigar cerca de 5 mil funcionários da antiga ferrovia Santos–Jundiaí, a vila serviu como ponto estratégico para vencer a diferença de 800 metros de altitude entre o litoral e o planalto paulista, viabilizando o transporte e a expansão econômica de cidades como Santos, Jundiaí e Campinas.

“A restauração da Vila de Paranapiacaba é fundamental para a recuperação de um lugar singular da nossa história. Suas casas de madeira, o Cine Lyra e a Sociedade Recreativa União Lyra-Serrano preservam a memória dos trabalhadores que viveram e fizeram a riqueza da região”, ressaltou o vereador paulistano.

A comitiva esteve no Cine Lyra — apontado por Bonduki como o primeiro cinema a existir no estado de São Paulo e o segundo do Brasil —, onde ocorreu a cerimônia oficial de lançamento do livro sobre as obras no local. A agenda incluiu também uma visita ao antigo campo de futebol da Sociedade Recreativa União Lyra-Serrano, considerado o primeiro campo com medidas oficiais do Brasil, instalado ali por conta da ligação de Charles Miller — responsável por introduzir as regras do futebol no país — com o universo ferroviário.

Cooperação e legislação para o patrimônio
As autoridades presentes reforçaram a relevância da ação conjunta entre as esferas públicas e privadas. Danilo de Barros (Iphan-SP) classificou a intervenção em Paranapiacaba como um “exemplo de cooperação e gestão” reunindo Governo Federal, Prefeitura de Santo André e iniciativa privada. Já o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, enfatizou que proteger o patrimônio está ligado à promoção do desenvolvimento social e da cidadania por meio da cultura.

Ao responder a questionamentos sobre a atuação do Poder Legislativo na preservação cultural, Nabil Bonduki defendeu a elaboração de diretrizes nacionais de apoio às cidades:

“Uma lei nacional seria muito importante. Não para fazer uma imposição ou um tombamento nacional complexo pela quantidade de imóveis, mas para estruturar um sistema em que os municípios passem a dar prioridade para as questões de preservação”, afirmou Bonduki.

Como visitar a Vila
Paranapiacaba fica a 34km do Centro de Santo André e pode ser acessada pela Via Anchieta e a rodovia Rodovia Índio Tibiriçá (SP-031). Para os interessados em conhecer de perto o acervo histórico de Paranapiacaba, o acesso pode ser feito através do Expresso Turístico da CPTM. As viagens ocorrem aos domingos e feriados, partindo de São Paulo, da Estação da Luz, às 8h30, com parada na Estação Celso Daniel, em Santo André. O trajeto de cerca de duas horas é feito em vagões tracionados por locomotiva. Os ingressos individuais variam entre R$ 50 (individual) e R$ 148 (para quatro passageiros) e devem ser adquiridos com antecedência devido à alta procura.

Durante a semana, o melhor é utilizar a linha 10-Turquesa da CPTM, descer na estação Rio Grande da Serra, pegar um ônibus ou carro de aplicativo até a vila.

Foto Nabil Bonduki – redes sociais
Foto livro: Helber Aggio (Ass.Com. Pref. Santo André)

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