Na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), nesta última sexta, 26, os dois deputados – Reis (PT) e Eduardo Suplicy (PT) – trouxeram à tona temas de repercussão nacional e internacional, que variaram desde fraturas internas na oposição até propostas de combate à tortura institucional e o balanço de programas socioeducativos.
Clã Bolsonaro e articulações no Ceará sob fogo cruzado
O deputado Reis iniciou os discursos focando na crise interna que atinge o Partido Liberal (PL) e o núcleo familiar do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar destacou vídeos publicados nas redes sociais pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, nos quais ela relata ter sido humilhada e maltratada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com o deputado, o desentendimento familiar reflete uma disputa política mais ampla no Ceará. O estopim teria sido uma articulação encabeçada por Flávio e pelo presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, para selar uma aliança velada com o ex-governador Ciro Gomes (PDT), visando enfraquecer o PT na região. Michelle teria se manifestado publicamente contra a aproximação pelo fato de Ciro já ter desferido duras ofensas e acusações contra Jair Bolsonaro no passado.
“O Valdemar está atuando ali como um bombeiro, tentando apagar o incêndio”, afirmou Reis. O deputado pontuou que o episódio corrói a imagem do pré-candidato do PL perante o eleitorado feminino e ironizou as projeções eleitorais internas do partido, que apontavam empate técnico com forças governistas. No plano estadual paulista, Reis aproveitou para celebrar a consolidação da chapa de oposição composta por Fernando Haddad e Márcio França.
Combate à tortura nas prisões e o drama das famílias
Na sequência, o deputado Eduardo Suplicy centralizou seu pronunciamento na agenda de Direitos Humanos, repercutindo a audiência pública realizada na Alesp às vésperas do Dia Internacional do Apoio às Vítimas da Tortura.
Suplicy alertou para a persistência de maus-tratos em ambientes de privação de liberdade em São Paulo, como presídios, unidades socioeducativas e comunidades terapêuticas — estas últimas alvos de denúncias por práticas assemelhadas ao modelo manicomial e trabalho forçado. Citando dados da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), ele chocou o plenário ao lembrar que cerca de 500 pessoas morrem anualmente no sistema prisional paulista por falta de assistência médica adequada.
Como resposta legislativa, Suplicy defendeu o trâmite de seu Projeto de Lei nº 621/2024, criado em parceria com a Defensoria Pública, que institui o Programa Estadual de Assistência Funerária Complementar para garantir sepultamentos dignos a famílias carentes que perdem parentes sob a tutela do Estado. O parlamentar reiterou ainda a urgência de se recriar o Comitê e o Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura, outrora vetados pelo Executivo.
Queda na evasão escolar graças ao Pé -de-meia e a defesa da Renda Básica
Encerrando sua fala, o deputado comemorou dados sobre o Ensino Médio público brasileiro. Ele apontou uma redução de 34% no abandono escolar entre 2023 e 2025, atingindo a menor taxa da série histórica desde 2007 (2,5%).
Suplicy atribuiu o sucesso diretamente ao impacto do programa federal Pé-de-Meia, poupança de incentivo financeiro voltada para estudantes de baixa renda cadastrados no Cadúnico. O deputado detalhou os critérios de funcionamento do benefício — como os repasses mensais por frequência e o prêmio por conclusão e realização do Enem — destacando que o programa já alcançou mais de 7 milhões de jovens.
“Esses dados demonstram a importância de termos políticas de transferência de renda”, ressaltou o deputado, que usou o gancho para reforçar sua histórica defesa pela aplicação integral da Lei da Renda Básica de Cidadania Universal no país. Como nota cultural, celebrou o convite da ativista norte-americana Angela Davis para a próxima Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ressaltando que ela também é uma defensora global da proposta de renda universal.










